Quem sou eu

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O nascer sob o conduite da agonia, aos gritos, em um domingo de manhã, foi única recordação persistente na memória.
A cor cinza e o nascer.
Além do tom, escrever tornou-se perseguidor, persistiu como o cinza, traçou seu caminho interno na infância escondida. Anos vividos no interior, na cidade onde o sangue de Ya Hu fora derrubado. Marasmo do sossego, o calor moldou sua alma e as ruas daquele pequeno mundo deixaram marcas, refletidas na primeira experiência do escrever, uma resenha sobre Dois Mil e Um Uma Odisseia no Espaço para o jornal da escola estadual onde cursava a sexta série. O texto marcou sua estreia e despedida do jornalismo acadêmico, pois fora considerado extremamente pesado para crianças nessa faixa etária, afinal de contas usar imagens com mortes para ilustrar a evolução humana era algo levemente ofensivo na aristocracia interiorana pós ditadura. Seguiu em frente assim, escondendo-se entre livros na adolescência, escondendo-se pelas décadas, dias, passando mais do que dezenas cartesianas em deriva da alma.
Aprendeu em uma vitrola onde estava a vida dentro das canções de Revolver eMagical Mistery Tour (Beatles) ou a transgressão da normalidade nos acordes de The Piper At The Gates Of DownAtom Heart Mother e Middle (Pink Floyd), percorreu Bocage, para logo em seguida descobrir Machado de Assis e apaixonar-se por Fernando Pessoa e seu Álvaro de Campos. Após algum tempo entendeu que a visceralidade estava onde ocorria a transgressão, desse modo iniciou com Ginsberg e seu Uivo, que anos depois se tornaria a base para seu poema Falha, seguido de Bukowski e Kerouac. Mais tarde, Aldous Huxley,Eduardo Galeano e Julio Cortázar tornariam-se seus inseparáveis guias,Saramago e Garcia Marquez do mesmo modo.
Transpassando lugares mais internos dentro do Estado de São Paulo, Marília onde estudou e Jaú onde nasceu, desembarcou na capital em 2002. O gosto estranho por qualquer revolução estranha, e muitas das vezes visceral, invadiu cada vez mais sua escrita, até alumiar seu primeiro livro, Descarrilho Cotidiano, totalmente escrito dentro das estações de metrô na cidade de São Paulo. Uma viagem em lava, cinza e sangue dentro do coração da metrópole, não o vendido pela publicidade turística, aquele da cidade cosmopolita e fiel, mas sim o coração negro de um lugar onde a vida não vale muito e sempre que possível é deixada de lado por interesses que não os coletivos. O furor e a dúvida de estar vivo dentro desse turbihão da pós modernidade no concreto de São Paulo. A capa da estreia foi uma ideia concebida e realizada na cidade natal do escritor, através dos olhos e mãos majestosas de Amanda França.
Do livro de poemas nasceram duas canções usadas no projeto Reversos - Instrumentalizando a PoesiaBaque, que conta as variáveis de uma overdose e foi musicado por Pedro Pracchia & Renato Gimenez, além de Trago, nascido poema sobre o amor urbano, tornando-se pelas mãos de Estrela Leminski (filha do herói samurai Paulo Leminski, um dos autores preferidos de Fabio) e Téo Ruiz, linda canção ritmando a vida de maneira ímpar. A versão do Música de Ruiz (a banda de Estrela e Téo), ganhou vida no DVD São Sons, lançado em 2013. Trago ganhou outra versão, pelas mãos do músico Bernardo Bravo, alimentando a densidade do poema de uma maneira ímpar e com toques de beleza brutais. Tanto Descarrilho Cotidiano quanto sua coleção de contos, foram publicados de maneira independente, no melhor método do faça você mesmo, algo aprendido com os heróis punks e poetas beats. Seus textos e contos ganharam vida em publicações de vanguarda dentro da internet, como os sites Nego Dito, Rock In Press e recentemente Altnewspaper.
O conto A Cria do Oitavo Dia (parte do romance inédito e homônimo) participou da coletânea lançada em 2012 pela Editora Big Time, o conto Voo Livre foi publicado pela primeira vez na revista literária conduzida pelo escritor paranaense Homero Gomes, a Jamé-Vu e seus poemas também fazem parte do projeto Os Reversos, dirigido pelo escritor Junior Bellé.  Atualmente escreve seu segundo livro de poemas, Coração Binário e a Navalha em Sua Alma. Seu trabalho pode ser acompanhado dentro do site http://gangrenadiario.blogspot.com.br/

quarta-feira, 31 de março de 2010

O PESADO BAFO DE WHISKY

Quem????

THE NUMERATORSDo Texas desde 2006, uma banda que normalmente recebe a ficha intitulada lo-fi. Erro grave e técnico, afinal de contas a pancadaria das canções tem muito mais punk do que ritmos melodiosos bem tocados. E se levarmos em consideração as fotos da banda, o rótulo também não se encaixa.
Se o primeiro texano a fazer sucesso (Buddy Holly) ainda estivesse vivo, os acordes que misturam britadeiras e bate estacas com um hálito flamejante de whisky sem gelo, provavelmente fariam a lenda rever a maneira de tocar canções mais calmas.

Com uma maneira de vocalizar as canções, como se quase falassem as letras, a banda oscila bem entre o purismo dos anos 60 e a barulheira dos anos 90. Cramps, Pixies, Daniel Johnston e um pedaço de Sonic Youth, misturado em gravações que transpiram sujeira desde a abertura da garagem......

A banda acaba de disponibilizar o EP HUMAN BLANKET, para download gratuito. Clica aqui e veja que tocar rápido muitas vezes é necessário e saudável neurologicamente.

Aqui embaixo duas......

GREEN









THAT'S SO RAIDEN









E um clip


QUANDO GIGANTES ANDAVAM PELA TERRA


Existem sons e repetições. Muitas vezes não habitando no mesmo espaço, existem canções que não conseguem ser reproduzidas duas vezes. Ainda mais quando a banda se propõe a caminhar por entre terrenos inseguros e que são dominados por gigantes de pedra polida que andam por esses traçados em forma de clave de sol.......

Mas o TWIN SISTER parece ter nascido para andar por entre a grandeza. Seja pelo fato de suas canções terem um ar épico, daqueles que rebatem quaisquer tentativas de usar meras comparações com outras bandas. Ou a sensação que em cada audição a música oferece uma nova visão sobre você mesmo.
Não faz muito tempo a banda que reside em Nova Yorke apareceu nas linhas do blog, levando em conta a voz de Andrea Estella, a vocalista que assombra com timbres que muito lembram a mesma densidade de uma avalanche silenciosa.
As misturas proporcionadas pela banda parecem muito com trabalhos de alquimistas medievais. Imagina em uma mesma música Bjork e Portishead com porções de Radiohead, talvez a banda tenha descoberto a maneira de se criar ouro........
Outra coisa que chama atenção na banda é que os músicos conhecem (e muito) bem as terras de gigantes por onde caminham. Todas as influências que transpassam as mentes de Eric, Gabel, Andrea, Udbhav e Bryan parecem ser destiladas a cada nota e isso é poderosamente viciante.

Se você ainda não se convenceu, pode baxar gratuitamente o mais novo EP da banda COLOUR YOUR LIFE, no site deles (que você acessa clicando no nome da banda na coluna à esquerda chamada BANDAS CITADAS, afinal de contas você não precisa do Google se eu posso fazer esse favor para você). Detalhe interessante é que durante duas semanas à partir de ontem, é tudo de graça.
Corra antes que acabe e aguarde.......

MILK & HONEY









ALL AROUND AND AWAY WE GO







terça-feira, 30 de março de 2010

QUANDO DESAPARECER SE MOSTRA VISÍVEL DEMAIS......


Existem bandas que aparentemente não gostam de aparecer. Medo ou mania de mostrarem-se cool mesmo não sendo????
Essa é uma pergunta difícil de responder. Mas a banda CULTS não possui nenhuma dessas duas qualidades maléficas.
Mesmo assim procurar alguma informação sobre a banda é como tentar ler aquelas letrinhas embaçadas em uma embalagem de cereal ou uma barra de chocolate.
Um artigo ali na Pichtfork e mais nada. Ainda bem que a página (no site Bandcamp) desse dueto que mora em Nova Yorke, formado por uma menina e um rapaz que estudam cinema, deixa claro duas coisas:

- eles não gostam muito de mostrar o rosto;

-a banda tem um apetite pelo pop, proporcional à capacidade de fazer músicas boas e cerebrais.

Eles tem apenas um EP lançado, aliás por eles mesmos e de distribuição gratuita na rede. Onde as insinuações de distantes tempos em preto e branco com tonalidades distantes das canções mais difíceis, não mostram uma falta de competência musical.
Denotam sim, uma linha perfeita que percorre bem a esfera de tonalidades velhas, mas com uma modernidade escondida. Do mesmo jeito que os rostos de seus componentes, oferecendo apenas pequenas nuances de brilho, mas que servem de iluminação de grandes cidades.

Você pode escutar aqui no GD duas desse EP: GO OUTSIDE e MOST WANTED, depois correr no site e baxar o disco completo AQUI.
Divirta-se como se estivesse dentro de um balão de hélio em dia de primavera, com nunvens cheias de anilina........

GO OUTSIDE









MOST WANTED










segunda-feira, 29 de março de 2010

COMO JÁ ESCREVEU PETE TOWNSHEND: THE KID (S) ARE ALL RIGHT

A banda:

THE KABEEDIES
Nasceram há dois anos na Inglaterra, mais precisamente em Norwich. Um quarteto (Evan na guitarra, Katie a vocalista, Fab na bateria e Roary no baixo) que poderia ser como outro qualquer, se não fosse apenas alguns detalhes......

a) banda que tem uma vocalista já é metade do caminho andado. Principalmente se ela for ruiva e cantar usando uma daquelas vocalizações de derretimento de geleiras. Com uma mania de seguir os passos de uma outra menina que se chama Debbie Harry ou Kate Nash

b) conjunções que resumem bem os riffs de guitarra nascidos do mesmo berço helicoidal genético de bandas como Talking Heads. O Kabeedies tem a força pop certeira de quem sabe como compor canções que grudam atrás da retina. A rapidez em tempo dos Cramps, misturado com uma névoa new wave riot girl. Então não é nada novo???
Não, mas nem por isso deixa de ser divertido.

c) baterista que usa óculos de aviador e sempre é deixado para trás nos clips. Clichê divertido sem culpa nenhuma. Mesmo porque a bateria arrítmica é um ponto forte.

d) durante a pesquisa para escrever, me deparei com apenas duas citações da banda feitas pelo Brasil varoníl. Uma delas de um rapaz que anda sob as águas do mesmo jeito que Fábio Massari e se chama Kid Vinil. Se existe uma coisa que você pode confiar nesse mundo, são as indicações dele. Mesmo quando a banda é apenas citada.

Se nada disso serviu para você correr atrás do disco de estréia da banda, RUMPUS de 2009, ou conseguir uma cópia dos EP's Litlle Brains, Treasure Hunt, Lover Ought To, The Animals I Slam In A Net, Petits Filous ou o mais recente Jitterbug re-edit (música que você confere o clip abaixo). Escute e veja se consegue não colocar seus pés para batucar embaixo da mesa.......





ELA É A MINHA MENINA SINISTRA


E vamos começar com espaço para onde virão todos os barulhos que você ainda vai ouvir falar.
Citando o maior cineasta de todos os tempos P.T. Thomas, essa menina tem um ar sinistro que é marcante........

CRUEL BLACK DOVE, americanos mais precisamente do Brooklyn.
Sons místicos, pesados e encobertos por alguns parágrafos das Brumas de Avalon. Vozes transcendem a simples audição e passam por altos graus de excitação muito devido à voz da vocalista Anastasia Dimou. Que desde já começa a roubar o lugar que um dia foi ocupado por Cat Power.
Com o mais recente EP THE MYTH AND THE SUM ainda figurando como o mais guardado segredo od Brooklyn, essa banda que não deve ser comparada com as suas influências que transitam por My Bloody Valentine, Cure, Depeche Mode a também The Primitives. E sim ser entendida como um poderoso amálgama de som, alucinações eróticas e visões de um futuro cravado em névoa negra.....
Escuta aqui no GD dois sons da banda:

LOVE MY AWAY (cover do Psychedelic Furs)








LOVE SONG









E o videoclip de OFFER......

quarta-feira, 24 de março de 2010

OS VINIS VIRTUAIS VOLUME 1

Desde que esse blog ainda se chamava Lullabies To Paralyze e habitava as ondas de outro local na nuvem de elétrons revoltosa, uma das coisas mais recorrentes era mostrar bandas que quase ninguém ainda ouviu e muitas vezes nem foram lançadas. Muitas dessas bandas vingaram outras continuam estranhas, mas todas fizeram um barulho que coaptou o cérebro de muitas pessoas para lugares extremamente diferentes. Nem que a única pessoa tenha sido eu mesmo........
Resolvi então fazer uma coisa que não tem nada de novo, mas coloca dentro do alcance de todos alguns desses sons que por vezes muitas pessoas me pediam, mas apenas dentro dos podcasts eram reveladas. E enquanto isso puder ser feito, eu farei. Afinal de contas mostrar o caminho nada mais é do que fazer com que mais pessoas acabem trilhando e descobrindo coisas diferentes. A intenção aqui não é mostrar que sei mais do que ninguém, mas sim apontar um lado diferente. Apenas isso.......
O esquema é assim:
Dois lados, um claro o outro escuro (nada disso esquece Lost....). Lado A e B separados em arquivos diferentes para que se você ter mais liberdade de escolha, na hora de escutar.......

Com vocês, senhoras e senhores reptilianas e reptilianos a primeira edição de:

OS VINIS VIRTUAIS


Nesse primeiro vinil binário, algumas das bandas que passaram por aqui antes (se não acredita, pode percorrer as postagens do Gangrena Diário ou os podcasts, está tudo lá.......)

LADO A:
1) BOMBAY BICYCLE CLUB / Cancel On me
A resenha de disco I Got The Blues But I Shoke Them Loose saiu muito antes da NME premiar a banda com o prêmio de revelação de 2009. Ainda sem muitos seguidores brazucas essa banda é daquelas que perder o som é quase um sacrilégio.

2) FUTURE OF THE LEFT / Land Of My Formers

Outra resenha adiantada do GD. Uma das mais pesadas bandas de 2009 que apesar do clip tocado algumas vezes na MTV, falta um famoso Q.I. para que exploda. Mas com esse peso todo tenho a impressão que não será necessário.

3) HARLEM / Number One

No mesmo dia que escutei o disco foi parar no podcast. A mistura de rock dos anos 60 com a garagem mais suja dos 90 faz com que essa banda tenha lugar garantido em qualquer festival da gringa ou aqui. Empresários do Brasil varoníl movam-se.........

4) MONICANS / La

Sheffield não é apenas a terra dos Arctic Monkeys. Essa banda que saiu do Outback australiano e aterrisou na terra da rainha, mostra que na verdade nasceu espiritualmente entre as décadas de 70 e 90 e anda junto com aquela galerinha do movimento chamado punk e seu decendentes. O GD conversou com eles nas Conversas Paralelas.

5) THE BOXER REBELLION / Soviets
Outra das resenhas adiantadas em pelo menos um ano do GD. O disco que foi eleito por publicações gringas como o melhor de 2009, não atracou com força aqui. Agora em março de 2010 parece que alguns estão olhando. Antes tarde do que nunca.......

6) ROGUE WAVE / Permalight

Disco saído do forno que leva o mesmo nome dessa canção. Na mesma linha de bandas com Phoenix mas com um som mais ambiente. Pode não ter o hype da banda francesa, mas justifica em cada acorde uma audição à mais......

PARA OUVIR E TER O LADO A CLICA AQUI.......



LADO B

7) NEW ROMAN TIMES / Smoke In Your Disguise
Demorei um pouco para embarcar no som dessa banda, mas depois de alguns meses ouvindo novamente entendi que não era apenas mais uma cópia de tantas outras. A força do som vem das melodias simples.....

8) THE FUTUREHEADS / Struck Dumb
Já era conhecida desde os tempos de Skip To The End. Mais uma opção de gosto pessoal do que propriamente alguma resenha. Banda sensacional e música também.....

9) SAVOIR ADORE / Hollywood Early Bird
Como diria um dos meus heróis da Marvel, uma das prediletas da casa!!!!!
Seja nas sessões para o site Daytrotter ou nas canções jogadas na internet, essa dupla mostra que mesmo batendo estaca ou em climas mais calmos ainda vão longe.......

10) AVI BUFFALO / What's In It For

Acabei de ver pelo twitter um dos blogs que sigo dizer que o mais novo single dessa banda, que descobri há umas duas semanas é sensacional. A mistura de "tristeza" radioheadiana com melodias belas, fazem dessa banda de L.A. ser mais uma candidata a tomar o lugar que um dia foi do Brooklyn.......

11) LATELY BLU BLU / My Old Love

Compositora, vocalista e uma das cabeças pensantes do Blue Jungle (outra banda de L.A. que conversou com o GD), ela faz tudo o que poderia parecer estranho demais, ficar pálpavel e cada vez mais explosivo a cada audição....

12) FOALS / This Orient

Antes mesmo do show que implodiu o Planeta Terra de 2008, essa banda já passeava dentro do meu cerebelo. As notas precisas dentro do primeiro disco, foram acachapantes e mostraram uma banda sedenta por suor e alma. O segundo vem logo, mas a faixa título já dá uma pequena amostra.

MESMA COISA PARA O LADO B, É SÓ CLICAR AQUI......