Quem sou eu

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Fábio Navarro escolheu a escrita, pois não havia saída para o que fervia em seu hipotálamo. Desde os tempos onde, morando em um dos últimos círculos do inferno interiorano paulista,aprendeu que até um papel de pão servia como exorcismo. Nascido nos últimos dias de setembro, quando as folhas já não mais florescem. Expelido por entre restilos de cana de açúcar, dentro do ventre de uma cidade do interior, resolveu sair de casa cedo. Tão cedo que por mais que tente regredir o tempo, não consegue.

Mas esconde-se o máximo que pode através de fantasiosas inverdades escritas em papéis ou destiladas em espaços binários.

Fanático varrido por músicas estranhas, escreve sobre elas em dois sites cariocas, além do seu próprio espaço. 
Anarquista de HQ, descrente da profissão biológica e acreditando que Deus na verdade é Andy Kauffman, trabalha em seu segundo livro.

terça-feira, 29 de junho de 2010

ORAÇÕES SÔNICAS

Existem comparações e comparações....
A banda

THE DEAD CONFEDERATE
Athens não foi o lar de apenas uma única banda no cenário americano. Milhares delas emergiram da cidade americana e tornaram-se referência. Corre pelas línguas mais exaltadas que se não fosse pelo cenário independente de Athens, a explosão do alternativo nos anos 90 não teria existido. Afinal de contas o R.E.M. foi formado nas coordenadas 33°57′19″N 83°22′59″W.
The Whings, Driven By Truckers, Of Montreal, Danger Mouse, Deerhunter, Neutral Milk Hotel, Indigo Girls e Flat Duo Jets são apenas amostras do que a cidade é capaz de produzir.
E uma das melhores bandas de uma nova safra acaba de anunciar novo dico. O The Dead Confederate anunciou essa semana a gravação de SUGAR sucessor do disco de estréia Wrecking Ball de 2008. Com uma mistura que tem guitarras pesadas e experimentações mais sólidas do que lisérgicas, a banda já tocou com monstros como o Dinosaur Jr. e ainda por cima acabou realizando uma parceria com J. Mascis.
O som tem um que nirvânico que entra bem pelos canais auditivos e faz com que a experiência de ouvir as canções da banda seja quase como estar em frente à um muro de som poderoso. Uma mistura de folk rock infernal com guitarras mais do que distorcidas. Mesmo a banda ainda não sendo gigantescamente martelada pela mídia e seu único single The Rat ter ocupado à 39ª posição nas paradas, a banda é poderosamente viciante.

Aqui no GD a canção em parceria com Mascis, GIVING IT ALL WAY e o vídeo deWRECKING BALL.



















segunda-feira, 28 de junho de 2010

MISTURAS CANADENSES

Conjunções musicais distintas.

PARLOVR
Quando várias vertentes unem-se em favor das notas musicais, certas bandas podem mostrar-se uma rajada de ar fresco dentro do cenário. Os canadenses do Parlovr mostram um pouco de cada influência dentro do som da banda. Misturas caseiras e com um gosto de grama lisérgica e outras vezes uma gestão metalizada de guitarras formando uma parede sonora cheia de reações eletro químicas. Dentro de baterias abafadas e linhas concisas de baixo, esses canadenses parecem querer tomar de assalto todos os ouvidos possíveis, com letras magnéticas e acordes tocados por profundezas dentro da alma.
Ouça aqui no GD duas:

All The World Is All That Is The Case

Pen To The Paper

sexta-feira, 25 de junho de 2010

BATUQUES BELGAS

Parece propaganda de perfume masculino, mas não é......


CUSTOMS
O quarteto que parece uma versão bem arrumada dos Killers possui uma vertente que mantém a combustão de sons em alta. Seja pelos bem encaixados riffs em uma bateria eletro descompassada ou pela marcante voz de Kristof Marie August Albert Uittebroek. E nem vá pensando que os outros integrantes da banda formada em 2008 e que passou todo o ano passado colhendo críticas acolhedoras naEuropa, possui nomes mais fáceis. Joan Willy August Govaerts (baixo), Jelle Florentius Mark Janse (guitarra) e Ace Mirko Zec (bateria) completam o time que mostra uma bela coleção de canções que transitam entre as noturnas cruezas do Interpol e algo como um The Bravery menos mórbido. Com forte influência do pós punk (Joy Division gritante), o Customs se não possui a equação da salvação da lavoura, não compromete e garante algumas horas de diversão bem feita e precisa.
Aqui no GD você assiste ao vídeo de THE MATADOR e REX



quinta-feira, 24 de junho de 2010

O MELHOR DO MESMO

Mais uma dupla:

HANK & CUPCAKES
Vem do Brooklyn uma mistura que se não tem nada de inusitado, mantém um certo frescor dentro de músicas que calculam lados equiláteros em ritmos eletrônicos e pops. Existe a óbvia sexualidade da vocalista Cupcakes e uma tensão nervosa dentro do som da dupla. Como as bandas que andavam por terras menos complexas e mais digestivas nas canções, lá pelos anos 90, o Hank & Cupcakes tem alguma coisa a mais no quesito capacidade de fazer sons com impedância suficiente para remover poeiras de seu corpo estático.
O video clip para a cover que a banda fez de SHE'S LOST CONTROL tem todo um clima tenebroso, mas depois o pop nervoso toma conta com PLEASURE TOWN.








segunda-feira, 21 de junho de 2010

POP CEREBRAL

Em 2007 a banda lançou um dos discos mais dançantes e inteligentes da época.

MURDER MYSTERYOs moradores de Nova Yorke mantém uma linha de passagem quase que irrepreenssível nos modelos aglutinados de notas poptônicas, onde os ploquismos mais açucarados não são uma ode ao diabetes mortal. Existe sim uma graciosidade em simetria com os vocais de Laura e Jeremy Coleman, mas não apenas vozes angelicais mantém o som da banda. As mudanças dentro de uma canção que poderia até ser considerada simples, mas correm por lugares onde a inteligência é a mola propulsora de notas especialmente dançantes.
Hoje a banda liberou duas canções inéditas, como uma amostra do que vem por aí no disco que vai suceder Are You Ready for the Heartache Cause Here it Comes.
Ouça e baixe, I AM (IF YOU ARE) e CHANGE MY MIND.

I AM (IF YOU ARE)

CHANGE MY MIND

EXÍLIO DANÇANTE

Depois dessa goleada de Portugal no extinto time da Coréia do Norte (afinal de contas, recebidos com flores é que eles não vão ser).
Então para curar a ressaca moral que provavelmente o time terá, a sugestão é dar um pulinho na Inglaterra, e procurar esse trio...


GET PEOPLE
Se não bastasse um Hot Chip, que provavelmente poderá vir ao Brasil nesse segundo semestre no festival Planeta Terra, existe mais uma banda querendo andar por entre as batidas cheias de chiclete.
O time coreano poderá pedir exílio político ao som de batidas quase que milimetricamente copiadas. Essa banda ainda não provou que pode manter uma linha original dentro do mundo pop eletrônico que carece de lugares menos comuns que os apontados durante o decorrer desse ano. Mas nem por isso não valerá uma escutada nas três primeiras canções lá no myspace deles. Um conjunto de batidas marcantes e pegajosas, com uma bela capacidade de movimentar seu esqueleto por lugares bem sossegados. Muito melhor do que enfrentar o pelotão de fuzilamento, ouvir o GET PEOPLE é garantia de diversão por muitas horas. E uma prova disso é o primeiro single, DEYTE, provavelmente uma das mais animadinhas canções desse primeiro semestre.


sexta-feira, 18 de junho de 2010

NOVA OCTAEDROCUBANA OCTANAGEM

Se conhecer em uma estação de trem vale????

Quem???


THE VOLITAINS
Existe sempre uma capacidade do acaso construir coisas espetaculares e a banda inglesa formada em 2007 (ainda sem gravadora até o momento) é um exemplo vivo.
Reza a lenda que a vocalista Candice Ayery, perambulava entre umas e outras cantarolando sozinha em uma plataforma de alguma estação de trem, quando o baterista Dave Roberts e o guitarrista Nick D’Amico salvaram a senhorita da morte certa quando um outro bêbado a empurrou em direção aos trilhos. Após os agradecimentos, os três descobriram que tinham muito mais em comum do que apenas estações boêmias.
2009 e a chegada do baixista Jim Hosking, deram a cola final nesse emaranhado de barulho estereofônico poderoso. Não é um mero pós punk, muito menos poderia encaixar-se dentro de um adjetivo shoegaziano. A voz de Candice corta profundos riffs concretos cheios de citações mais pesadas, por entre sons que destoam de qualquer tentativa de mesmice. Isso sem contar que Candice já entra direto na galeria de musas vocalistas, que este blog sempre venerou....
Denso na medida certa, a banda lança seu disco de estréia nesse mês de junho, mais precisamente dia 27. Mas a amostra com o single UNDERGROUND você pode ouvir por aqui.

BREJEIRICES

Mais não é o Arcade Of Fire?????

A banda:

MURA MURA
Dois amigos americanos (Tyler Tholl e Peter Johnson), tem o belo costume de chamar os amigos para dentro de suas casas e gravarem canções que parecem serem tiradas de algum conto infantil, muitas vezes doces e de beleza campal rústica e outras tantas lacônicamente macabras. Notas impulsionadas por doses de lisergia brejeira que colocarão seus ouvidos por entre pradarias cinzas. Tudo bem que os ecos canadenses do Arcade irão assombrar seus ouvidos, mas os toques de lábios flamejantes serão uma bela lembrança de sua memória auditiva, que é ativada com o som desse combo.
Vale muito por toda a faceta lúdica no som do MURA MURA, que pode ser conferido aqui em duas faixas do EP de estréia homônimo. Você pode baixar todo o conteúdo clicando no disco acima.

RABBIT

THIS HOUSE IS BURNING DOWN

quinta-feira, 17 de junho de 2010

INSTRUMENTAÇÕES CEREBRAIS

Música instrumental???

A banda:

CODES IN THE CLOUDS
Esse quinteto inglês mantém uma aura de mistério por entre todos os acordes existentes nas suas canções. Como se fosse possível esconder mensagens subliminares dentro de claves de sol suaves, o que é possível se ver por entre todas as músicas do disco de estréia da banda chamado PAPER CANYON. Conjuntos de poderosas cadências, bem moldados em clássicas ondas de alternativismo, necessárias para que as camadas sônicas de som possam adentrar aos ouvidos médios e diluirem sinapses condutoras de energia elétrica pesada e lacerante.
Muitos riffs acachapantes e uma capacidade de manter atento seu cérebro dentro de uma hipnose coletiva.
Uma canção: Don't Go Awash In This Digital Landscape e um vídeo, da música The Dirty Basement

Don't Go Awash In This Digital Landscape

ROUCAS ABELHAS

Existem pessoas que parecem ter nascido para formar uma dupla.....
Quem???

SHE KEEPS BEES
Jessica Larrabee e Andy La Plant, parecem ter nascido em algum beco escuro e sujo do Tenesse, mas na verdade moram no Brooklyn em NY. E desde que os White Stripes surgiram, não havia uma dupla com tamanha força oxidativa. Primeiro pela voz hipnótica de Jessica, que com timbres que são de profundezas oníricas e enlaçados por uma hipnótica dança de laringes sedutoras. Plant emudece a bateria minimalista por sentidos cadenciados e texturas lisas e seguras. As explosões de cor nessas canvas acrílicas eróticamente cantadas, fazem do She Keeps Bees uma dessas duplas que deixam o She & Him parecendo dois adolescentes iniciantes. Visceralidade destilada em um veneno que desce como absintho enuviado em pedaços de sonhos disformes. Aqui no GD duas pra começar, RIBBON e a preferida do ouvido médio WEAR RED.

WEAR RED

RIBBON

terça-feira, 15 de junho de 2010

ELETRICIDADE EM NUVENS

Sons em formas de nuvem.....
A banda:

KYTE
Existem bandas que transcendem as sonoridades mais simples e possuem uma capacidade de tornarem-se memoráveis. Exemplos como Mew, Boxer Rebellion e Mercury Rev co existem nesse tipo planeta.
O Kyte parece querer perturbar essa ordem instalando um pouco de plasticidades binárias. O quarteto inglês toma de assalto o mundo alternativo com sons mais suaves e densidades hipnóticas. O mais novo single, lançado fisicamente hoje da canção DESIGN FOR DAMAGE é de uma capacidade de emocionar que poucas canções conseguem. Pura eletricidade em formas de nuvens. Ouça:







segunda-feira, 14 de junho de 2010

QUATRO MÃOS NERVOSAS

Nem é o fato de que as influências da banda (segundo o myspace deles), são uma enorme quantidade de substâncias ilícitas.....

LUX

Duplas parecem ser a tônica das grandes surpresa desse ano. Primeiro os doentios acordes do Sleigh Bells mostraram que a perturbadora capacidade de soarem fantasmagóricos é uma das maiores virtudes do ano.
Davis e Leah quando resolveram montar a banda em fevereiro desse ano, estavam mais preocupados não apenas em mostrar a mistura excêntrica de showgaze, noise e eletrônica. Mas se por um lado o Sleigh Bells é a serra elétrica, o Lux é o serial killer perturbado e calamitoso que tem a mania de gritar em vocais sensivelmente mais baixos. Um quase sussurro desesperado que mantém um aura de terror a cada nova música.
Os riffs tectônicos e um pós punk nasal, junto de milhares de pílulas das mais variadas cores. Mas pelo que se pode ouvir das duas canções que você escuta aqui no GD, DRUGS HELP e LITTLE CRIPPLE, conclui-se que eles tem as pílulas azuis. Afinal de contas quem tem azul tem tudo!!!!!!!

DRUGS HELP









LITLLE CRIPPLE








DO WOP GLAM

Bandas que resgatam os anos dourados podem ser perigosas.....


THE SECRET HISTORY

Os nova iorquinos não prendem-se apenas em canções onde os grupos vocais eram bem ensaiados, mas sim acabam colocando uma roupagem mais moderna dentro de ritmos em sépia.
Sete pessoas que explodem em misturas de guitarras grudentas e espessas melodias que são capazes de manter o interesse. Canções onde não há uma necessidade de releitura barata, mas sim uma capacidade grandiosa de diversão.
Enfim, em uma segunda feira de rabugice a banda é uma das opções mais divertidas da semana. Mesmo acontecendo de seus ouvidos serem bombardeados com uma certa aura de glam rock de vez em quando. Mas isso talvez seja um eco da genética familiar da vocalista Lisa Ronsom, filha de Mick Ronsom uma das lendas do estilo.
Duas para começar bem a segunda, OUR LADY OF STANLIGRAD e JOHNNY ANORAK.


OUR LADY OF STANLINGRAD




JOHNNY ANORAK

sexta-feira, 11 de junho de 2010

TOMANDO SEU LUGAR

Candidato ao trono???

A banda:

CHICO FELLINI

Que a tristeza irá tomar conta de muita gente quando o último show do LCD Soundsystem acontecer, é notório. Mas a mesma dúvida que percorre os corações quanto ao real fim da banda de James Murphy (porque essa não é a primeira vez que ele anuncia que vai parar), é tão grande quanto a que percorre sua cabeça quando ouvir as canções dessa banda de Kentucky.
Primeiro porque os ecos do eletro pop com guitarras estão todos lá e assim fica a impressão de que o quarteto tem tudo para tomar o lugar do LCD em nossos ouvidos. Mas não se trata de uma cópia barata, afinal de contas existe um grau de peso bem distribuído por entre as guitarras de Duane Lundy. O que ajuda muito a nasilidade da voz de Christopher Dennison, aí sim uma característica que aproximam as duas bandas co-irmãs.
Importante nem é saber se o Chico vai substituir o Murphy, mas sim que surge então uma opção pesada e dançante que pode fazer com que o movimento femoral não deixa de existir.
Ouça aqui no GD a pancadaria de GIVE IT TO ME.


quinta-feira, 10 de junho de 2010

ROCK BÁSICO VOL.1

Uma pureza de raízes
A banda:

DAWES
A banda californiana que vai tocar no Loollapalooza esse ano é uma poderosa mistura de guitarras e ritmos puramente retirados da mais íntimo entrecanto da alma americana do norte. Pesadamente encaixados por entre sonoridades mastodônticas, uma coleção de forte rifferia de guitarras e nuances de bateria que são especialmente bem trocadas durante a execução.
Um belo exemplo é essa versão ao vivo da canção WHEN MY TIMES COME. Uma aglutinação de notas que em crescendo mostram que o rock americano possui uma qualidade épica que faz bem.

VOZEIRÃO

Quando eles apareceram pela primeira vez confesso que torci o nariz....


CEE-LO GREENQuando o Gnarls Barkley adentrou ao ouvido médio desse que vos escreve pela primeira vez, talvez meu lado marxista proletáriado cortador de cana de esquerda tenha ficado alerta por ouvir a música Crazy no programa do Luciano Huck. Só depois de alguns anos (e foram alguns anos mesmo, visto que só depois que ouvi uma versão que a banda fez para Reckoner do Radiohead interessei-me), ouvi com mais atenção. Mas que bom que a idiotice politizada saiu de minha cabeça, pois assim consegui ouvir coisas como os milhares de projetos do Danger Mouse (Broken Bells e com Sparklerhorse), assistir Cee-Lo tocar com o Foo Fighters e por aí vai.
Desde então a dupla de compositores e magos encantam dois paralelos dentro de minha cabeça. Danger Mouse é o homem mais cerebral ao passo que Cee-lo veste as vezes de louco e crooner, essa faceta exercida com maestria devido ao acachapante timbre de voz devastadora que ele possui.
Uma prova disso é a canção GEORGIA, single novo quase uma reinvenção da canção de Ray Charles, mas de uma roupagem e estrutura diferentes. E mesmo assim tendo essa levada clássica, jamais chega à ser inascessível.
Para quem gosta de boa música independente do rótulo indie ou não, o vocalista é um prato cheio.
Ouça aqui no GD em primeira mão GEORGIA.



quarta-feira, 9 de junho de 2010

VOCÊ ENTRA COM O PÉ, EU ENTRO COM A BANDA

Continuando o clima de romance, uma banda que nasceu de um pé na bunda (aliás quer coisa mais dia dos namorados que pé na bunda????)


THE LOVE LANGUAGE

Quando o fundador e compositor principal, Stuart McLamb, estava morando com seus pais durante o período dor de cotovelo pós separação, resolveu comprar um equipamento de gravação e começou a escrever canções. Quando elas ficavam prontas, as mostrava aos amigos próximos. Três desses camaradas tinham uma banda que se chama The Rosebuds. Gostaram das canções de imediato e convidaram Stuart para participar da turnê com a banda.
Assim sendo o rapaz então recrutou mais alguns comparsas e as coisas começaram a encaixar-se. A banda mantém uma linha de atuação variante entre o folk e a lisergia criptografada em rifferias. O disco de estréia saiu o ano passado e a continuação dos trabalhos vem em julho com o lançamento de LIBRARIES. A canção HEART TO TELL que vai chegar nesse disco saiu hoje e você pode escutar aqui no GD. Lindas melodias vindas de desamores.

segunda-feira, 7 de junho de 2010

CONTRA PESO

Mais barulho.

A banda:

THE MEDULA SNARE.
No início eram os Manhanttan Love Suiciders, depois de algum tempo a banda resolveu mudar de formação e nome. Nasceu assim Medula Snare, vindos do Reino Unido e despejando toneladas de barulho sujo e distorcido dentro os ouvidos já atentos. Tudo na mesma linha de noize e pop rock retirado de seminais batidas pavementianas ou de uma autolux superior.
O disco de estréia da banda, CINDERELLA, pode ser comprado por menos de R$20,00 no site da Squirrel Records (clica aqui) e ainda por cima é um exemplo bom de bandas que andam levando os acordes para o terreno mais distorcido e surpersônico do rock. Yo La Tengo fez história e uma leva de pessoas com a mesma sede de acordes disformes e explosivos vai manter vivo o legado. Mesmo porque ninguém sabe quando o Manhattan Love Suiciders podem voltar.

sexta-feira, 4 de junho de 2010

OS VINIS VIRTUAIS VOLUME 4

Muita coisa bacana saindo nessas semanas e o melhor de tudo é que parece que a tendência é apenas ficar melhor. E mesmo os discos com mais de dois meses de vida tem muita lenha ainda.
Nessa quarta edição dos vinis, um apanhado do que mais bacana está saindo das caldeiras sonoras, logicamente com um gosto bem pessoal, mas se você quiser embarcar, sinta-se em casa.


LADO A

1) FATE LIONS / Calendar Girls

Uma das entrevistas mais bacanas, foi a que fiz com essa banda do Texas lá nas Conversas Paralelas. Essa canção do disco GOOD ENOUGH é apenas uma das muitas que mostram o poder que uma guitarra pode ter em manter em seu dia com uma beleza ímpar.

2) MOUNT KIMBIE / Blind Night Errand

Se você acha que Kid A havia acabado com todas as possibilidades dentro de uma cerebral eletrônica, então precisa ouvir urgentemente a banda inglesa que tem uma quantidade de samplers tão grande quanto o The Avalanches e outra grande porcentagem de talento.

3) MATES OF STATE / Sleep The Clock Around

A dupla sumidaça desde outros carnavais reapareceu em forma de disco de covers esse ano. De uma simplicidade tamanha que é capaz de emocionar os mais ragugentos. Versões para Mars Volta, Belle & Sebastian, Nick Cave, Tom Waits. Nem parece que a banda fez um disco com músicas de terceiros.


4) DANIEL JOHNSTON / Beatles

Muitos o chamam de louco, outros de gênio. Mas uma coisa é certa, dificilmente vai encontrar-se nesses dias de twitter alguém que cante tanto com o coração esparramado na garganta quanto esse senhor que era idolatrado por Kurt Cobain e muito mais gente. A música que fecha seu mais novo disco não precisa de explicação, mas é talvez uma das mais lindas e sinceras homenagens ao quarteto inglês.


5) THE BLUETONES / A New Athens

E difícil definir o som dessa banda inglesa já veterana (nasceram em 1993), pois tem informação de muitos lugares circulando dentro de cada nota. Desde grandes arenas até sons menos comerciais. Mas a beleza e força dos riffs é inegável.


PARA BAIXAR O LADO 1 CLICA AQUI.


LADO B


1) WOLF PARADE / Oh You, Old Thing

Não dá nem para começar explicar o que esse disco do WP significa para a música esse ano. Esqueça a mistura genial de teclados, guitarras, bateria e baixo estelar. Não ligue para o fato de que foi Steve Martin que escreveu o release do disco Expo 86. Não leve em conta nada disso, mas lembre-se que ao ouvir o mais recente trabalho da banda, você está diante de um do melhores do ano.

2) THE WHINES / Cut Meat

O título já seria tétrico se não fosse cantado com uma beleza descomunal. Essa banda do Oregon não para se tocar um minuto e ainda por cima tem uma linha de guitarra devastadora. Corra atrás de HELL TO PLAY, disco mais recente.

3) WE ARE SCIENTISTS / I Don't Bite

Barbara é uma das melhores surpresas do ano até agora. A urgência dançante de todas as notas do mais recente trabalho da banda é de não deixar pedra sobre pedra. Se Rules Don't Stop é o single, essa canção é a mais memorável.

4) LETTING UP DESPITE GREAT FAULTS / Our Younger Noise

Mais calma e a primeira das três escolhas mais pessoais dessa mixtape. Um duelo entre a beleza de vozes e a concordância inexata das batidas elétricas.

5) SAVOIR ADORE / We Walk Like Machines

Se existe uma música que pessoalmente é uma das mais belas existentes, é essa do Savoir Adore. A banda do Brooklyn consegue em menos de quatro minutos colocar toda a beleza de uma vida inteira dentro de acordes.


6) TEENAGE FANCLUB / When I Still Have Thee

O The Fall antes e o TF agora, mostram que em 2010 as panelas velhas ainda andam fazendo músicas épicas. O sensacional Shadows é como uma pintura que te emociona sem mesmo você saber o porque, do começo ao fim uma linha de contrações coronarianas poderosas.

PARA BAIXAR O LADO B CLICA AQUI.

RIMAS CAÓTICAS

Uma rapper e DJ no blog.
Como assim?????


JASMINE SOLANO.
O ano passado foi especialmente bacana para essa menina nascida na Filadélfia. Quando apresentava o programa de rádio The Secret Spot, em Boston, ganhou o prêmio de personalidade feminina do ano. Mudou-se para Nova Iorke e lançou um single ( That’s Not It), considerado por muitas das edições especializadas como uma das melhores músicas do underground. Com a internet fazendo o papel de divulgação necessário, Jasmine já é considerada uma das surpresas agradáveis no cenário do rap indie. E sim existe uma leva de artistas que não aparecem ( Cool Kids, Rakim, The Clipse and Sean Kingston e por aí) nas mais hypadas ondas do gênero e que fogem do esteriótipo que o rap tem em sua maioria, lá na barackolândia.
O som de Solano é de uma profusão de batidas recicladas de uma época seminal, com absurdos atemporais de um Chemical Brothers cantado em sussurros.
O novo single que se chama POETIC JUSTICE, lembra as primeiras coisas gravadas por M.I.A., antes dela virar uma caçadora de repórteres e teórica na conspiração contra o Google.







MELHORES PARALELOS

O que aconteceria se um dia fosse possível misturar o som do MEW, mais as canções do COLDPLAY e o pop estridente do A-HA?????
Não, você não precisa mais imaginar, pois agora já dá para ouvir:


APPARATJIK

Pior que nome de vulcão, esse projeto paralelo dos músicos Guy Berriman (Coldplay), Jonas Bjerre (Mew), Magne Furuholmen (A-ha) e Martin Terefe, é exatamente o que descreve o primeiro parágrafo. Os sons calmamente viajantes do Mew, mais o pop do A-ha e um terço de coxinhês do Coldplay. A diferença que faz o som da banda atrativo, é a não vontade de fazer algo mais radiofônico e fugir um pouco das batidas sonolentas do pop rock.
Dias frios, calamidades suaves de uma mente que passa horas pensando em como a vida se transmuta diante dos olhos mais atentos. Esse tipo de contemplação é possível dentro do EP que a banda distribui gratuitamente na internet, 4 CAN KEEP A SECRET IF 3 OF THEM ARE DEAD. Agradável aos ouvidos e uma pedida boa pra quem procura alguma coisa diferente, a banda parece ser mais um exemplo de projetos paralelos que são mais interessantes que os principais ( no caso do Coldplay e A-ha). Nas bandas citadas você acha o link para baixar o EP todo, já que o disco sai só dia 15 de junho.
Aqui no GD aparecem duas: ANTLERS e a faixa titulo.

ANTLERS









4 CAN KEEP A SECRET IF 3 OF THEM ARE DEAD







terça-feira, 1 de junho de 2010

BARULHINHO BOM

Não é só mais uma bandinha de low-fi.....

Quem???

THE WHINES

O trio de Oregon lançou o disco de estréia final do mês de maio. HELL TO PLAY impressionou ninguém menos que Thurston Moore , guitarrista e compositor de uma banda aí chamada Sonic Youth. Não é de se estranhar, afinal de contas o disco (que não para de rodar aqui na vitrola) é um apanhado dos melhores acordes sônicos dos anos 90. Muita sujeira e distorção em temas que muitas vezes atordoam, outras deslocam. Não existe uma música que possa ser radiofônica demais ou comercial no pior sentido da palavra. Choques anafiláticos de notas por entre uma camisa de flanela velha, fazem com que a voz nervosa e anasalada de Karianne marque não apenas sua cabeça, mas sim fique grudada em voracidade calma.
Obrigatório em qualquer dia de inverno se você acha que anda faltando uma barulheira boa.
Aqui no GD diretamente do porão de Zack, INSANE OK e depois uma apresentação da banda no festival SMMR / BMRR.




O SOM POP INDÍGENA

Você já tocou um thunderstick???


A banda:

SCARY MANSION
Se você não faz a mínima idéia de que thunderstick seja um instrumento de cordas, longo como um baixo e fino como um clarinete, a vocalilsta Leah Hayes pode começar sua iniciação na cultura apalache.
Mas antes é necessário que você escute sua banda o Scary Mansion, situada no Brooklyn e com dois discos na bagagem. Uma mistura potente de sonoridades mais poptônicas com uma descida aos sônicos portais de um inferno doce.
A banda não necessita de saídas fáceis ou de musicalidades coletivas, os acordes tem um tom pessoal muito grande e eu até diria autoral até o talo.
Talvez esse clima de identidade forte da banda, seja pelo fato de que a líder do grupo além de cantar, já escreveu dois livros e ainda deu uma canjinha para o TV On The Radio, na faixa Snakes and Martyrs.
Muito boa pedida para quem prefere forte identidade à uma cópia barata de algo que já foi ressoado e passado por décadas.
Duas para começar, na primeira o peso esquisito de NO LAWS e depois algo mais cândido na canção OVER THE WEEKEND.

NO LAWS









OVER THE WEKEEND