Quem sou eu

Minha foto

O nascer sob o conduite da agonia, aos gritos, em um domingo de manhã, foi única recordação persistente na memória.
A cor cinza e o nascer.
Além do tom, escrever tornou-se perseguidor, persistiu como o cinza, traçou seu caminho interno na infância escondida. Anos vividos no interior, na cidade onde o sangue de Ya Hu fora derrubado. Marasmo do sossego, o calor moldou sua alma e as ruas daquele pequeno mundo deixaram marcas, refletidas na primeira experiência do escrever, uma resenha sobre Dois Mil e Um Uma Odisseia no Espaço para o jornal da escola estadual onde cursava a sexta série. O texto marcou sua estreia e despedida do jornalismo acadêmico, pois fora considerado extremamente pesado para crianças nessa faixa etária, afinal de contas usar imagens com mortes para ilustrar a evolução humana era algo levemente ofensivo na aristocracia interiorana pós ditadura. Seguiu em frente assim, escondendo-se entre livros na adolescência, escondendo-se pelas décadas, dias, passando mais do que dezenas cartesianas em deriva da alma.
Aprendeu em uma vitrola onde estava a vida dentro das canções de Revolver eMagical Mistery Tour (Beatles) ou a transgressão da normalidade nos acordes de The Piper At The Gates Of DownAtom Heart Mother e Middle (Pink Floyd), percorreu Bocage, para logo em seguida descobrir Machado de Assis e apaixonar-se por Fernando Pessoa e seu Álvaro de Campos. Após algum tempo entendeu que a visceralidade estava onde ocorria a transgressão, desse modo iniciou com Ginsberg e seu Uivo, que anos depois se tornaria a base para seu poema Falha, seguido de Bukowski e Kerouac. Mais tarde, Aldous Huxley,Eduardo Galeano e Julio Cortázar tornariam-se seus inseparáveis guias,Saramago e Garcia Marquez do mesmo modo.
Transpassando lugares mais internos dentro do Estado de São Paulo, Marília onde estudou e Jaú onde nasceu, desembarcou na capital em 2002. O gosto estranho por qualquer revolução estranha, e muitas das vezes visceral, invadiu cada vez mais sua escrita, até alumiar seu primeiro livro, Descarrilho Cotidiano, totalmente escrito dentro das estações de metrô na cidade de São Paulo. Uma viagem em lava, cinza e sangue dentro do coração da metrópole, não o vendido pela publicidade turística, aquele da cidade cosmopolita e fiel, mas sim o coração negro de um lugar onde a vida não vale muito e sempre que possível é deixada de lado por interesses que não os coletivos. O furor e a dúvida de estar vivo dentro desse turbihão da pós modernidade no concreto de São Paulo. A capa da estreia foi uma ideia concebida e realizada na cidade natal do escritor, através dos olhos e mãos majestosas de Amanda França, fotógrafa e inspiração de muitos dos poemas do autor, além de "mãe" do cão Fonseca.
Do livro de poemas nasceram duas canções usadas no projeto Reversos - Instrumentalizando a PoesiaBaque, que conta as variáveis de uma overdose e foi musicado por Pedro Pracchia & Renato Gimenez, além de Trago, nascido poema sobre o amor urbano, tornando-se pelas mãos de Estrela Leminski (filha do herói samurai Paulo Leminski, um dos autores preferidos de Fabio) e Téo Ruiz, linda canção ritmando a vida de maneira ímpar. A versão do Música de Ruiz (a banda de Estrela e Téo), ganhou vida no DVD São Sons, lançado em 2013. Trago ganhou outra versão, pelas mãos do músico Bernardo Bravo, alimentando a densidade do poema de uma maneira ímpar e com toques de beleza brutais. Tanto Descarrilho Cotidiano quanto sua coleção de contos, foram publicados de maneira independente, no melhor método do faça você mesmo, algo aprendido com os heróis punks e poetas beats. Seus textos e contos ganharam vida em publicações de vanguarda dentro da internet, como os sites Nego Dito, Rock In Press e recentemente Altnewspaper.
O conto A Cria do Oitavo Dia (parte do romance inédito e homônimo) participou da coletânea lançada em 2012 pela Editora Big Time, o conto Voo Livre foi publicado pela primeira vez na revista literária conduzida pelo escritor paranaense Homero Gomes, a Jamé-Vu e seus poemas também fazem parte do projeto Os Reversos, dirigido pelo escritor Junior Bellé.  Atualmente escreve seu segundo livro de poemas, Coração Binário e a Navalha em Sua Alma. Seu trabalho pode ser acompanhado dentro do site http://gangrenadiario.blogspot.com.br/

sexta-feira, 30 de julho de 2010

EXPLOSÕES DANÇANTES

As bandas de eletro rock continuam....

DYNASTY ELECTRICHouve um tempo onde o termo new-rave era capitaneado pelos Klaxons e quando se falava de rock indie para dançar, o nome do CSS já explodia por entre os riffs de pista. Passou o tempo, o movimento descendeu em força, mas as bandas continuaram a aparecer por aí. Essa dupla do Brooklyn é um dos exemplos mais bacanas desse novo movimento que arrasta esqueletos dentro de pistas. Jenny Electrik e seus vocais em looping hipnótico no melhor estilo Goldfrapp de ser, mais Seth Dynasty nas guitarras e Shimon na percussão colocam dentro dos ossos mais duros e resistentes uma mistura de décadas e sons, que variam dos 80 até as tecnologias sônicas mais cheias de riffs arrasadores. Do funk ao rock sempre em movimento e ainda com direito à uma cover impagável de Venus da banda Shocking Blues. A Dinasty Electric disponibiliza o EP BURNING gratuitamente no site (que você acha ao lado nas bandas citadas) e vale muito conferir de perto a trajetória desses fazedores de riffs mágicos.
Aqui no GD duas para começar bem a sua noite de sexta, BURNING e MOVE MY FEET

Burning









Move my feet







quinta-feira, 29 de julho de 2010

CLÁSSICOS TEXANOS

Quem vai querer mais um Arcade Fire???
A banda

MOTHER FALCON

Com essa resenha toda sobre The Suburbs do Arcade Fire, as jogadas de marketing da gravadora, a BBC sendo mal interpretada e outras coisas, até parece que a banda é a única a fazer esse gênero brejeiro folkiano. Mas combos existem para que sua cabeça possa entender que nem sempre uma banda só faz verão.
Os texanos (de Austin para ser mais preciso), montaram uma linhagem com nada mais, nada menos que 17 pessoas, confere a escalação:

Laura Andrade - Cello
Rita Andrade - Viola
Italo Benavides - Cello
Clara Brill - Violin
Nick Calvin - Cello
Maurice Chammah - Violin
Yun Du - Violin
Nick Gregg - Vocals, Cello, Mandolin, Guitar
Austin Harris - Violin
Tamir Kalifa - Accordion, Vocals
Matt Krolick - Trumpet
Gilman Lykken - Bassoon
Josh Newburger - Violin
Claire Puckett - Vocals, Guitar, Piano
Matt Puckett - Saxophone, Glockenspiel
Luke Stence - Bass
Isaac Winburne - Saxophone, Percussion, Piano

A banda montou sua base com até 20 integrantes, obviamente pensando na musicalidade imprimida as canções que tem influências que vão desde as composições mais clássicas (Beethoven, Mozart e Bach), até as mais contemporâneas como Bob Dylan, Neil Young e os Strokes (que apesar de serem citados pela banda como influência, vai saber....). O importante aqui nem é a questão da velocidade muito menos de apresentar uma banda que soa barroca demais para um público de calças coloridas. A simplicidade que a banda tem em conseguir arranjos complexos fazendo-os percorrer de maneira uniforme seus ouvidos, vai prender sua atenção. E mesmo a sua praia sendo um pouco mais pesada, uma banda mais barroca ainda que o Arcade Fire pode ser bem vinda.
Aqui no GD dois vídeos, as canções Kathryn e Marygold



quarta-feira, 28 de julho de 2010

VIAJANTES DO TEMPO

Daquelas bandas que parecem ter saído de alguma máquina do tempo:

BLACK MOUNTAIN
Sem querer essas últimas semanas o globo do GD andou rondando mais o Canadá do que deveria. Essa é mais uma das boas surpresas das terras dos homens montados em cavalos, com uniformes vernelhos.
Com uma pilhagem de sonoridades que lembram os primeiros trabalhos do Black Keys, ou seja, com os dois pés nos anos 70 e reluzentes guitarras bluseiras. Em algumas ocasiões o rock de arena cheio de laquê de cabelo pode até fundir-se com arranjos que vieram da fase progressiva do gênero. Mas nada disso deixa de fazer você manter seus canais auditivos grudados em cada nota.
A banda vem de disco novo esse ano (Wilderness Heart) e aqui no GD você escuta um single desse trabalho. O som é THE HAIR SONG.







terça-feira, 27 de julho de 2010

QUASE UM SUPERGRASS.....

A banda existe desde 2005.

JAILL
Americanos de Milwaukee esse quarteto possui uma capacidade gigantesca em construir riffs grudentos, sem ao menos um leve traço de forçar a boa vontade dos ouvintes. O disco novo THAT´S HOW WE BURN mostra isso. São densidades cheias de círculos de cordas que colidem dentro da voz anasalada e quase desafinada de Vincent Kircher.
Assinados com a Sub Pop e já com uma respeitável discografia (incluindo aí até uma fita cassete), vale correr atrás de trabalhos anteriores da banda como o disco Decor ou os EP's Five Songs ou Pardono. Muitos sônicos ruídos dentro de ritmos que não deixam de ser mais fáceis, nem por isso descartáveis.
Duas aqui no GD, THE STROLLER e EVERYONE'S HIPS

















segunda-feira, 26 de julho de 2010

ASTRONAUTAS POLONESES

A estória toda ocorreu assim:

Em 1960 o governo polonês secretamente entrou no programa Guerra nas Estrelas, com o intuito de manter suas conquistas espaciais à frente dos inimigos e alcançar outros tipos de planos menos nobres. Enviaram ao espaço um grupo de astronautos chamados Equipe THE CAR IS ON FIRE.Eles fizeram três viagens principais dentro do programa: Tortoise, Stereolab, Broken Social Scene. Mas durante o últmo retorno, a nave onde encontrava-se toda a tripulação teve problemas. Todos os integrantes desde então, vagam perdidos pelo espaço. Assim a única maneira da tripulação comunicar-se com a terra novamente foi mandarem via espaço o disco de estréia da banda (OMBAROOPS!), que leva o nome da missão secreta da tripulação. E assim corre a lenda na Polônia.

A verdade é que a banda formada por: CHRISTOPH, JACQUES COUSTEAUX, JACQUES, CHRISTOPH II, JEAN-PIERRE, oferece uma viagem sensacional e quase mostrada em detalhes cada vez mais hipnóticos. Sem a necessidade de soar pesado ou cadenciado. O clima de diversão que comanda as notas desde o início do disco é de uma beleza rara. Não se coloca aqui qualquer comparação com as bandas que influenciaram o trabalho da banda. Mas sim uma simples constatação de que o som da banda é uma daquelas coisas que podem fazer uma segunda feira modorrenta, muito mais agradável. Apples In Stereo achou seu concorrente mais forte, que essa semana foi escolhida a banda revelação da semana pela NME.
Veja aqui no GD, Ombaroops! e depois Can't cook (Who cares)



sexta-feira, 23 de julho de 2010

SURF E CHÁ

Banda inglesa de surf music????
Quem???

TWO WOUNDED BIRDS
Vem da cidade de Margate, no litoral frio inglês um trio que parece ter nascido em areias escaldantes. Talvez a banda inglesa menos britânica dos últimos tempos, primeiro porque o som não tem nada de modiano ou lisérgico, aliás a não ser pela voz de Johnny Danger o intenso vocalista da banda, os ingleses não remetem a nenhum artista da ilha.
Muito pelo contrário, tudo está nos pés de Elvis e Beach Boys e a banda apresenta os temas de ondas com a natureza atual, assim como os The Drums reeditaram o gênero de maneira original. Aliás as duas bandas estão excursionando juntas nesse verão do hemisfério norte.
Aqui no GD o vídeo mais do que psicotrópico parafinado de My Lonesome


quinta-feira, 22 de julho de 2010

REMODELAGEM ORIGINAL

Existem banda e existem cérebros.....

CLOUD CONTROL
O quarteto australiano pode até ser taxado de copiar a temática de um Talking Heads aqui e acolá, ou tentar conversar com todas as músicas do Clap You Hands And Say Yeah!!!. Mas uma coisa jamais poderá ser dita sobre eles:
Não possuidores de qualidades capazes de compor canções que são de uma audaciosa cadência. E nem estamos aqui, tentando ainda entender como uma banda pode ao mesmo tempo soar tão Neil Young e Fleetwood Mac ao mesmo tempo que é uma das mais originais que apareceram nesse ano. O adjetivo serve muito mais para a condução das músicas do que pela maneira de compor. Mas uma coisa é certa, em cada audição dessas canções a sensação de que a leveza de ser transparece por entre as melodias é inegável.
Para começar a gostar da banda (ou não né...), aí vão duas:
There's Nothing In The Water We Can't Fight e depois Meditation Song 2 Why Oh Why



BOA NOITE NÓS SOMOS O JOY DIVISION

A banda não tem acordes novos.
Quem???


Les Yeux Sans Visage
Das profundezas do pós punk no início dos 80, eis que esses suiços, parecem ser apenas mais uma banda cover do Joy Division misturada com as vocalizações do Interpol. E confesso que virei até o pequeno nariz que meu pai passou-me geneticamente (porque não foram os olhos azuis raios triplo!!!) para os acordes inicias. Mas eis que ouvindo novamente surgiram algumas nuances mais interessantes dentro das canções. Pequenas doses de lisergia bem comportadas e ciclos de notas que retornam ao mesmo lugar de onde começaram. Seria muito mais fácil definir a banda como apenas uma cópia de outras coisas, mas o LYSV pode ainda crescer mesmo em termos de composição. E se por acaso for uma das milhares que não funcionam, pelo menos duas músicas bacanas a banda terá.
Ouça aqui no GD CHRISTMAS e uma jam session.




MAIS COVER


Eles já foram promessas e considerados uma das melhores bandas de 2008. Colocados como salvação da lavoura em muitas vezes. Em 2009 sumiram, mas eis que uma coleção de acordes suavemente colocados em sonhos mostra que a banda está viva e bem.
O PASSION PIT, nascido na barackolândia em 2007 tem no primeiro disco Manners uma bela coleção de tons pops com sintetizadores e falsetes. Essa canção ilustra bem como a banda é:



E agora ele lançaram uma versão linda demais de Tonight, Tonight do Smashing Pumpkins. Aquela banda de brinquedo do Billy Corgan.
Mas sem piadas a versão do passion Pit tem a mesma aura de belza da versão original, mas com uma delicada cor acinzentada por entre as notas. Confere aí embaixo....

terça-feira, 20 de julho de 2010

BARRY JIVE AND THE UPTOWN FIVE

A nossa listinha sobre a lista do Mercury Prize.

01) PAUL WELLER / Wake Up The Nation

Preferido aqui no GD, um disco que além de poderosamente grudento, tem melodias que fazem com ainda hoje depois de anos, o modfather seja um dos artistas que você tem obrigação de ouvir.



02) WILD BEASTS / Hooting and Howling

Ninguém deu muita bola para a banda, mesmo sendo Two Dancers um dos discos mais bacanas lançados em 2009. A mistura de pop cheio de elegância e os falsetes vocais são combinações perfeitas. Se existisse a possibilidade de uma bela premiação, essa banda ganharia.





03) FOALS / Olimpic Airways

Mesmo concorrendo pelo disco mais recente (Total Live Forever), esses cerebrais rapazes estão desde o ano de 2008 fazendo se não os melhores, alguns dos discos mais bacanas da paróquia indie. Antidotes, o primeiro, é de tamanha potência, que você fica fora do centro de gravidade depois de ouvi-lo e esse som (Olimpic Airways) é uma das melhores canções o disco.
Quem assistiu ao show no Planeta Terra sabe que nada fica ileso à essa banda.




04) LAURA MARLING / New Romantic

I Speak Becouse I Can é um disco que mostra como fazer uma musa do folk de maneira lenta e gradualmente apaixonante. Obviamente todas as cantoras acabam passando exatamente pelas mesmas fases, mas Laura tem esse poder de manter seus ouvidos colados em cada fricção que seus lábios fazem enquanto as palavras saem de sua boca. Prêmio ficaria em boas mãos. E fica uma dica para o pessoal das T-Girls:
Laura Marling Já!!!!!!




05) THE XX / VCR

Sim é torcida descarada. Mas se existe uma banda que foi capaz de manter olhos marejados e corações em batimentos exacerbados durantes noite insônes, foi o XX. DJ Cremoso até já rendeu-se aos atalhos calamitosos das canções dessa banda, que definem bem palavras como beleza e leveza. O XX pode até ficar uma banda insuportável depois de tudo isso, mas nada pode apagar a benfeitoria de alma que o trio causou em desesperados ventrículos.

BINÁRIOS SOMBRIOS

Eletropop de peso...
A banda


K-X-P
De Helsinki, esse trio começa finalmente depois de quatro anos fazendo um certo alvoroço no mundo sombrio do ainda existente underground, à ser indicado como banda interessante em 2010. Incluindo aí a publicação da revista Clash, que coloca o KXP entre os nomes que devem ser acompanhados de perto. Mesmo sabendo que essas listas apresentam um certo grau de ufanismo desnecessário, não custava nada dar uma olhada e assim começou a grande e profunda hipnose de terça de manhã. Mesmo usando as ferramentas do lado negro da força nas composições, existe uma densidade bem definida e sombria no som. O The Big Pink já no ano passado apontava para uma sonoridade mais pesada em relação à mistura eletrônicca alternativa. Mas o KXP eleva o nível do jogo para um patamar de sombras com um pouco menos de ploquismo e um aumento de tonalidades disformes.
A referência direta é o óbvio Depeche Mode junto com sombras da primeira fase do Ministry, ainda quando usavam a eletrônica como ferramenta. Diferente sem ser pretencioso demais e na medida certa para aquele início de noite chuvosa.
Vale uma compra de camiseta da banda.....
Ouça aqui no GD 18 HOURS OF LOVE:


segunda-feira, 19 de julho de 2010

MASSACRANTES

Não é apenas a terra do mais popular herói e suas anteninhas de vinil.....

A banda:

LE BUTCHERETTES
Diretamente do México, essas meninas estão apadrinhadas por ninguém menos que Omar Rodriguez Lopez, que para quem ainda não voltou de Júpiter é uma das metades cerebrais do The Mars Volta. O disco completo que se chama SIN SIN SIN está praticamente pronto e uma coisa é certa:
A pancadaria que vem poderosa desde os primeiros acordes da canção que você ouve aqui no GD, HENRY DON'T GOT LOVE. Nasce de lugares onde bandas como Pixies, Breeders e muita gente boa dos 90 escreveram claves de sol sônicas. Muito barulho bom e saídas mais perturbadoramente calmas.
Corra atrás

OS NOVOS TEXANOS

Tá eu confesso, sou fã dos Flaming Lips....
A banda:

YOUNG MAMMALS
Uma dupla de irmãos texanos com no mínimo uma curiosidade apurada no sentido experimentações sonoras. Essa banda merece uma atenção mais especial. Muito menos porque copia desenfreadamente o jeito de ser do Flaming Lips, mas a banda formada por: Carlos Sanchez, Jose Sanchez, Cley Miller, Ryan Chavez tem algo de diferente. Primeiro por colocar os acordes de maneira transversa, como nas mais enraizadas canções de guitarra espanhola. Onde a métrica da música poderia mudar de um minuto para o outro e levava seus ouvidos para viagens com destinos diferentes.
Mas não são apenas lisérgicas passagens que podem aparecer nas canções. O disco de estréia da banda (CARROTS), não apenas dá a sensação de viagem, mas sim de uma consistente parede sonora em forma de ecatombe. Que se parece descartável aos ouvidos mais chatos, por outro entrecanto pode ser completamente viciante. A segunda opção é muito mais sensata.
Duas aqui no GD, sensacionalmente esquisita CONFETTI e a numérica 848.

Confetti

848

sexta-feira, 16 de julho de 2010

MAIS DO MESMO???

O que você pode dizer sobre comparações entre bandas???
Tudo parece sempre a mesma coisa???
O Mogwai é ainda a única banda que faz algo original???
Não dá pra saber, por que quando se diminui o espaço entre as diferenças, nada mais é possuído por alguém ou tem um único dono. Nas palavras dos músicos a questão é atingir o maior número de pessoas, mas a maneira como se atinge pode variar de singular até o esquema de confrarias musicais.
Essa impressão que tem-se quando pela primeira vez ouve-se a canção BONNY DOON da banda GAMBLE HOUSE.
Primeiramente porque o timbre de voz do vocalista Ben Becker é extremamente parecido com as canções da banda Grizzly Bear, do mesmo jeito que as músicas em primeira audição parecem ser idênticas. Mas não são. Enquanto os ursos pardos usam referências mais líricas, com uma ênfase muito maior nos jograis vocais. A banda da Califórnia aposta nas sonoridades. Com passagens que remetem à Alan Parsons Project ou 10cc e uma veia mais rockeira. Inclusive o início da música que você ouve aqui no GD (BONNY DOON) remete um pouco aos tempos da bossa nova.
As duas bandas possuem nuances que as aproximam, mas existe uma clara separação de estilos, o que faz com que o Gamble House seja mais cabaret e o Grizzly Bear mais Igreja.
Atualmente em turnê com outra banda bacana demais (Rogue Wave), o GH merece uma audição bem mais detalhada do que uma simples comparação igualitária e segregacional.

Boony Doon / Gamble House

OPERETAS HORRIPILANTES

Densidades sombrias...
Mas isso é nome de banda???

JESUS MAKES THE SHOTGUN SOUND
A primeira lembrança que eu tive quando ouvi a canção JANESSA SAIS QUO, foi a do meu primo mais velho me assustando com a capa de Destroyer do Kiss. Eu era muito pequeno, mas a sensação de terror que invadia minha cabeça com aqueles quatro caras mascarados com nuances de seriais assassinos me davam calafrios. Obviamente com o tempo entendi que eles eram mais cereais do que seriais, mas....
Pois bem os californianos conseguiram me deixar pouco tenebroso, confesso, seja pelas experimentações radioheadianas que a banda apresenta, ou por misturar violões espanhóis em formas de guitarras que desandam em acordes múltiplos. Fazia muito tempo que eu não via uma música ter milhares de saídas diferentes e manter uma coesão tão grande que causa calafrios na espinha.Um clima de teatralidade e operetas cheias de sarcasmo e medo.
O clip não fica atrás, afinal de contas o climão romance de Stephen King mais a trilha sonora faz com que você mantenha a tensão em alto graduação. A canção está no mais recente EP da banda, DAMANT QUOD NON ITELLIGUNT e você assiste ao clip aqui no GD.

quinta-feira, 15 de julho de 2010

OS CANADENSES SABEM DANÇAR

Aquele gosto de mofo no ar....

THINK ABOUT LIFEMais canadenses, só que dessa vez as tonalidades estão extremamentes ligadas aos clássicos. E quando se usa a palavra clássicos deve-se ater-se ao fato de que não são canções com menos de dez anos de era geológica. Martin, Caila, Greg e Graham possuem influências que parecem sair das mãos de KC and The Sunshine Band, Al Green e todo um suingue funkeiro dos anos 70. Mas ao mesmo tempo algumas canções misturam sonoros barulhos da dance music dos anos 90 como se tivessem tocado com o trio Dee Lite. Na mesma linha do The Phenomenal Handclap Band, mas menos lisérgico e com uma alusão direta da new wave dos anos 80, a banda mostra uma capacidade de lotar pistas de dança de qualquer festinha indie. Mesmo quando percebe-se o tom na voz de Martin, igual ao de Kele. Nada que comprometa a deliciosa mistura de poeira dançante com modernidade movedora de pés.
Aqui no GD a sensacional HAVIN MY BABE e o vídeo de SWEET SIXTEEN



quarta-feira, 14 de julho de 2010

CANADENSES

Canadenses sônicos
A banda:

LAND OF TALK
O trio que conta com a garganta recém operada de Elizabeth Powell, tem toda uma maneira galática de tocar esse nem tão novo assim tipo de rock que apareceu desde 2009. Uma densidade muito maior de paredes com guitarras e ambientações que parecem ter saído de algum filme de ficção científica. O Land Of Talk tem a mesma linha de bases do Metric, mas a velha e boa cópia parece dar lugar à um peso maior, muito parecido com influências mais próximas de bandas como Garbage e Cardigans.

A capa aí de cima é do novo disco (Cloak And Cipher), e ainda por cima o video clip de IT´S OK concorreu ao Prêmio Juno em 2010.
Banda boa para o inverno que se aproxima. Confere o premiado clip de It's OK e depois THE MAN WHO BREAKS THINGS.















terça-feira, 13 de julho de 2010

PELAS ALMAS DE MANEIRA CALMA

Los Angeles de janeiro , fevereiro e março continua linda....
A banda

SUPERHUMANOIDSContinua a pequena guerra pelas almas humanas barackolescas entre as duas costas mais sonoras do planeta. Los Angeles de um lado e o Brooklyn em Nova Yorke do outro continuam a lançar bandas e determinar quem será que vai mostrar ao mundo a "the next big thing". Quem ganha com isso são nossos lindos e brilhosos glóbulos cérebro atordoantes que acabam sendo levados por caminhos onde a inesperada capacidade em levitação de corpos mais pesados que o ar, torna-se apenas um detalhe dentro de notas musicais capazes de proporcionar lisérgicas arritmias.
Os Superhumanoids possuem uma capacidade de fazer mágica através de vozes e sons. Nada aqui é colocado como distorção pesada de guitarras ou poderosas cataclísmicas trovoadas de um baixo pulsante. Tudo é feito em função da calma e diversidade de tonalidades de nuvens acolchoadas em pedaços de sonhos. Como se em cada nota se escondesse uma camada de sentimento humano, que disparado entra em velocidade da luz e atravessa seu corpo todo, transpassando sensações e cores em fúria de lâmina cortante.
A banda está lançando hoje o EP URGENCY, todo gratuito no site da banda (http://superhumanoids.com/) e aqui no GD você assisti ao clip de HEY BIG BANG. Pode sonhar que é permitido.....


segunda-feira, 12 de julho de 2010

NA BOLA E NO ROCK

A fúria e a banda:

AIAS
Barcelona não apenas cedeu mais da metade da seleção campeã do mundo, como também possui uma das bandas de rock mais bacaninhas do território. O dueto formado por Laia Aubia Gaia Bihr e Miriam Garcia (que ainda contam a participação de amigos nas apresentações ao vivo), vem com um som que de diferente não tem quase nada. Um conjunto bem fusionado de tons new wave com as levadas shoegazianas de sempre. Mas a adição de alguns metais dentro dos riffs quase que exclusivamente melancólicos passam a ser mais uma diferenciação dentro do som da dupla. Ainda mais pelo fato de que, rock cantado em espanhol tem um apelo mais forte auditivamente falando.....
A banda ainda não fez aquele barulho, mas pelo visto é apenas uma questão de tempo para que o pessoal de Los Angeles encaixe-as em suas trincheiras, ainda mais pelo som que você ouve aqui no GD, AIAS

quarta-feira, 7 de julho de 2010

SUINGUE SHOEGAZIANO

Sem complexo de vira lata musical.....
A banda

THE CLEANERS
Brasileiros com uma noção de universalidade gigantesca. A primeira coisa que vem em nossas mentes ao escutar em toda extensão uma das canções da banda (TO GROW OLD), é que por mais que se cante em inglês e as influências sejam muito mais gringas que o ziriguidum do balacobaco, as bandas nacionais possuem uma forma toda particular de compor. Mesmo longe das senzalas acústicas, existe todo um balanço inerente aos sons das bandas nacionais. Coisas que muitas vezes em outros países podem ficar quadradas demais, aqui essa capacidade de transformar tudo em suingue é poderosamente acachapante.
O quarteto que começou sua carreira em 2006, mas apenas no ano seguinte iniciou uma série de shows pelos bares de São Paulo e ABC. Nesse mesmo ano o Cleaners lançou seu EP de estréia chamado LET THE MUSIC BE THE MUSIC, daí para a banda começar a fazer mais barulho pelo cenário foi um pulo. Atualmente em turnê de lançamento do primeiro disco que se chama THE DEBUT ALBUM, que poderá ser conferido em um show dia 27 de julho na casa Studio SP. Guitarras que deslizam por navalhas concentradas em riffs de bateria que mais parecem um decapitar de pedaços concreto. Aqui no GD duas gravadas em um show no Parque Villas Lobos, IT'S ALL RIGHT e a sensacional COFFEE AND LAUGHS.




terça-feira, 6 de julho de 2010

OS RUSSOS ESTÃO CHEGANDO

Existe um novo barulho na Rússia....


THE CHESHIRE STRANGLERDas mais tórridas e gélidas terras chega esse quarteto formado por Andrei, Igor, Lera e Alex. Mistura quase nitroglicerínica de distorções e sombras mais negras que o inverno sem sol de alguns países. Com um EP apenas na bagagem (L'ennui, l'echo, l'ennui), a banda tem em seu som muitas influências boas vindas dos anos 80 e uma sonoridade que transporta mentes em tornos de pesadelos barulhentos. Além do que, as influências da banda são todas de uma linhagem de outras co-irmãs russas que são sensacionais, como por exemplo TV Punk, Hot Zex, Pinkshinyultrablast e Motorama. Sem falar na admiração que os russos tem pela Bethany Curve.
O som que rola aqui no GD está no EP de estréia e se chama
Jusqu à Demain Matin.
Prepare seus ouvidos.....








POR ENTRE A NÉVOA

Existe banda que tocam em nuvens


CROCODILES
A banda americana formada em 2008 parece ter saído do mais íntimo útero de uma jaqueta de couro. Sons com uma aura que pertence à extremidades em formas de névoa que se condensam em aglomerados de chuva ácida. Como na letra de Sleep Forever, tudo nas canções parece ter saído de um céu frio e cinza. Mas nem por isso aquela famosa nuvem de chuva que acompanha os mais desafortunados personagens das histórias em quadrinhos fará de seus ouvidos muro de lamentações pautadas em paranóias explosivas. O ritmo pode parecer mais lento em algumas partes, mas a capacidade de hipnotizar os ouvintes está lá. Perdida por entremeios de um Jesus And Mary Chain aqui e um Black Rebel Motorcycle Club acolá. Densidade concreta em locais onde velas provavelmente fazem a luz do ambiente.
A banda já gravou um disco (SUMMER OF HATE), e uma coleção de EPs. Um deles em conjunto com outra banda que aos poucos começa a despertar mais interesse, as Dum Dum Girls. O novo EP sai ainda esse ano, com a canção que você escuta aqui no GD SLEEP FOREVER.







segunda-feira, 5 de julho de 2010

BARULHOS QUADRADOS EM NUVENS AMARGAS

Bandas engraçadinhas.....

HER VANISH GRACEPoderia ser um aglomerado qualquer de amigos do colégio que resolveram tocar músicas doces com tons cinzas incandescentes. Mas parece que a grandeza da sonoridade meio sombria e metade algodão doce amargo da banda de Nova Yorke, torna-se muita mais interessante a cada audição. Com toques de uma new wave calculada precisamente para encaixar-se dentro de riffs que lembram as tardes mais acinzentadas de outono, o quarteto formado por: Nance Nieland, Maria Theodosiadou, Billy Loose e Charles Nieland propõe uma digestão fácil de tonalidades que causariam amargura em corações dilacerados, mas que dentro do conceito mais pop pode ser levado para o lado mais calmo e sossegado do rock, mesmo quando as canções são devidamente parecidas com outras milhares de bandas.
Importante aqui é conseguir mostrar um som que teria tudo para ser uma calamidade pop brega retirada dos anos 80 em forma de hipnose mais que bem vinda.....
Duas canções que dão o tom da banda, mas de uma maneira um pouco mais sônica, por assim dizer:

REMEMBER


SLIP AWAY

quinta-feira, 1 de julho de 2010

CRIAÇÕES SUBLIMINARES

Um belo início.....


SCHOOL OF SEVEN BELLS

Benjamin Curtis, músico e um dos integrantes do The Secret Machines conheceu as irmãs gêmeas univitelinas Alejandra e Claudia Deheza (que tocavam na On! Air! Library!) durante uma turnê do Interpol, onde as duas bandas abriam os shows. A afinidade pelos sons aéreos e cheios de contra fluxos imaginários foi imediatamente a cola que aglutinou o trio.
Uma espécie de aura mágica onde as oposições eletrônicas realizavam uma fusão atômica com guitarras que se não são poderosamente pesadas conseguem ser tenebrosamente densas. Com um processo de criação rígido onde as letras surgem antes das canções, que vem na esteira do clima, o trio gravou o sensacional disco de estréia Alpinisms em 2008. Nesse ano de Copa a banda grava segundo DISCONNECT FROM DESIRE, que chega ao mundo no próximo mês (dia 13). A primeira canção BABELONEA já saiu pelas ondas virtuais.
Mistura acachapante de crueza e calmaria que invade cada pedaço de pele de seus ouvidos, embalando pesadelos em algodão doce cinza.....
Ouça e corra atrás, o SVIIB é uma das mais bacanas bandas atuais.....

BABELONEA