Quem sou eu

Minha foto

Fábio Navarro escolheu a escrita, pois não havia saída para o que fervia em seu hipotálamo. Desde os tempos onde, morando em um dos últimos círculos do inferno interiorano paulista,aprendeu que até um papel de pão servia como exorcismo. Nascido nos últimos dias de setembro, quando as folhas já não mais florescem. Expelido por entre restilos de cana de açúcar, dentro do ventre de uma cidade do interior, resolveu sair de casa cedo. Tão cedo que por mais que tente regredir o tempo, não consegue.

Mas esconde-se o máximo que pode através de fantasiosas inverdades escritas em papéis ou destiladas em espaços binários.

Fanático varrido por músicas estranhas, escreve sobre elas em dois sites cariocas, além do seu próprio espaço. 
Anarquista de HQ, descrente da profissão biológica e acreditando que Deus na verdade é Andy Kauffman, trabalha em seu segundo livro.

terça-feira, 14 de dezembro de 2010

PORN SURF....

A nova surf music??

THE GOD THE BAD

Nunca imaginaria-se que um trio da Dinamarca, fazendo uma mistura de surf music, rock de garagem e erotismo quase barato. Manoj Ramdas (The Raveonettes, SPEkTR) no baixo, Johan Lei Gellett (Henrik Hall, Kira and the Kindred Spirits) na bateria e Adam Olsson (The Setting Son, The Aim) na guitarra, formam essa banda que não precisa de vocalista.
"Nós não temos vocalista , pois não achamos nenhum que ficasse atrás da bateria" diz Adam no release do trio. Mas também não faz a mínima falta.

Afinal de contas essa alquimia de décadas e fitas proibidas pelos pais mais escravocatólicos é de um poderio imenso de energia. O disco chamado From 001 To 017, tem todas as notas crampinianas e garagem de sobra para incendiar um quarteirão. Não é de graça que o videoclip da canção 030 tem esse ar quase soft porn irressistível. Isso tudo já garantiu a The God The Bad em festivais como Roskilde e também na after party do show dos Killers no Albert Hall.

O disco de estréia saiu no dia 25 de novembro e parece não perder a força tão cedo. Aqui você escuta as canções 001 e 005 (executada na rádio Xfm) e o clip sem cortes de 030.




quinta-feira, 9 de dezembro de 2010

CONDIÇÕES PACÍFICAS....

Por muito tempo desatento.


SUMMER FICTION


 Bill Ricchini morador da Filadélfia, é um músico cheio de detalhes minimalistas. Não existe uma distorção poderosa e muito menos aventuras lisérgicas psicotrópicas. Tudo parece estar lá, pelo simples fato de existir. Mas essa diminuta nos compassos, não são de observação fácil. Aliás muito pelo contrário.

Uma audição do registro fonográfico inicial dessa banda quase de um homem só, requer uma dose de outras intenções. Porque sempre ouvir tudo apenas uma vez pode levar a interpretações equivocadas ou apressadas. Não dá para consumir música, ou escrever sobre ela, como um adolescente desesperado dentro de uma zona do baixo meretrício, descobrindo o significado da palavra ejaculação precoce. Então Summer Fiction, o disco, pode e deve ser ouvido mais de uma vez definitivamente.


Primeiro para que não se confunda singeleza com poptonicidade atonificada. Não existe uma moleza desesperada por impulso nas 12 canções do disco. Cada faixa parece seguir um propósito. Amor, contemplação, alegria, leveza ou frustração. Não importa, cada ouvinte interpreta com a sua situação recorrente. O que conta nessa correlação de minutos concatenados em canções, é saber que elas moveram sua cabeça em direções diferentes. Da musicalidade tribal de Kids In Catalina até o chiclete doce e algodoado de Chandeliers.

Ouça abaixo todo o disco de estréia da Summer Fiction e depois o clip para o single Chandeliers.


sexta-feira, 3 de dezembro de 2010

PEDRADAS ISRAELENSES

Israel, mais precisamente Tel Aviv.

TV BUDDHAS

Já não é de hoje que existem verdadeiras hecatombes dentro do rock, que nascem na segunda maior cidade de Israel. Aliás lados orientais mostram sempre nomes de audição interessantíssima como por exemplo Motorama (Russia) e GO GO 7188!! (Japão). Mas as raízes desse trio também forneceram bandas como Monotonix, uma verdadeira pancada no meio da testa quando o quesito são shows.

A Tv Buddha não foge à regra e despeja uma sensacional série de referências que mesclam as garagens mais sujas do início dos anos 90 e a visceralidade do punk seminal dos anos 70. Geek bubblegummers, os irmãos Uri e Mickey Triest acompanhados de Juval Haring, não tem sutilezas quantos aos canais auditivos. A fusão é alta e o poderio de distorção de guitarras, formam uma parede sonora com a bateria. De BRMC até o lirismo nas letras com toques richmanianos, o som desses israelenses é hipnoticamente feito para explosões de energia mitocondrial nucleares.

Um EP na bagagem (The Golden Age, lançado em junho de 2010) que além de extremamente sujo, é um verdadeiro atropelamento causado por um A380 sonoro. A despretensão não torna a musicalidade banal, mas sim de uma visceralidade mais do que bem vinda.

Três canções demonstrando que as pedradas são de alto calibre. Fun Girls, Buddha Rock e Wandering Song.



quarta-feira, 1 de dezembro de 2010

MUDANÇAS DISTORCIDAS

Mudanças de comportamento.

STATE BIRD

Essa banda de Ohio, transmutou seu estilo para algo um pouco mais pesado. De início folkiano para notas que soam muito mais distorcidas e cheias de wezeerianas sementes. Fazer esse tipo de escolha pode destruir o som de uma banda que corre pelas beiradas dentro de uma gravadora independente como a The Record Machine. Mas...

Os riffs ilusoriamente posicionados dentro dos anos 90, dão aquele ar de flanela para as canções. O que não pode deixar de ser notado, afinal de contas esse novo EP da banda (El Granburrito) é tomado por esse tipo de inicativa sonora. Mesmo forçando demais a entrada de peso, o registro não deixa de ser um certo acalento aos ouvidos mais distorcidos.
Ouça o single abaixo....