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Fábio Navarro escolheu a escrita, pois não havia saída para o que fervia em seu hipotálamo. Desde os tempos onde, morando em um dos últimos círculos do inferno interiorano paulista,aprendeu que até um papel de pão servia como exorcismo. Nascido nos últimos dias de setembro, quando as folhas já não mais florescem. Expelido por entre restilos de cana de açúcar, dentro do ventre de uma cidade do interior, resolveu sair de casa cedo. Tão cedo que por mais que tente regredir o tempo, não consegue.

Mas esconde-se o máximo que pode através de fantasiosas inverdades escritas em papéis ou destiladas em espaços binários.

Fanático varrido por músicas estranhas, escreve sobre elas em dois sites cariocas, além do seu próprio espaço. 
Anarquista de HQ, descrente da profissão biológica e acreditando que Deus na verdade é Andy Kauffman, trabalha em seu segundo livro.

sexta-feira, 25 de fevereiro de 2011

PATROCINADAS PELO POVO.....

Não é uma reedição da Galaxy 500...

STONE DARLINGS

Esse quarteto de meninas poderia ser uma banda qualquer, mas não é. Ou até um conglomerado shoegaziano normal, o que mesmo contendo um pedaço de verdade nas notas, também está longe de ser a única faceta. Mesmo correndo em comparativos paralelos, a banda tem uma malemolência genética que garante uma audição mais cuidadosa de suas claves. Como toda germinação, a Stone Darlings pode parecer crua demais para conter qualquer tipo de aposta, mas o delicado som é inebriante.

O EP de estréia foi um projeto feito em parceria com o site Kickstarter e alcançou sua cota prevista ($ 6.135 dos $6.000 previstos). O que prova dois pontos importantes:
Primeiro que as canções das meninas tem o apelo ventricular certo dentro dos ouvidos humanos, e que o crowdfunding é uma das verdades que vieram para revolucionar a maneira de produzir cultura.

Ouça a sensacional cover de Can You Get To That (Funkadelic) e depois a canção All I Wanna Do. Ambas gratuitas para download.
 

terça-feira, 22 de fevereiro de 2011

ZINES BRITÂNICOS

A brincadeira toda é assim:

BREATH OUT.

A definição de trabalho duro, é algo que anda distante. Talvez a facilidade em conseguir as coisas, ou a possibilidade ilusória de uma grandeza binária que não passa de devaneio mental atrofiado e desmielinizado, pode enganar vossos puros corações peludos e cheios de mágoa. Mas não se engane se a estrada da escolha for a mais acidentada. Uma hora a maré vira....

E mais ou menos isso está acontecendo com o pessoal da banda The Black Tambourines e New Years Evil. Além do trabalho regular, as duas mantém as próprias carreiras e divulgam novas claves através de um fotozine CDEP. A combinação quase caleidoscópica de tantas informações, é em função dessa nova banda londrina chamada BREATH OUT.

Alex Clegg, James Goodhead, Tom Browne e Andy Clydesdale, são os protegidos da vez e mostram o porque em 5 músicas que não são dessa década. Uma mistura grungeana e garageira, com a distorção na medida exata para trazer aquela estranheza e potência ao som. Experimentações, samplers simples e duplicações vocais contrastam com o volume bate estaca das guitarras. Navegando por mares heterogênios, a Breath Out começou bem.

Ouça o Photozine EP abaixo, baixe-o aqui!!!!!

quarta-feira, 16 de fevereiro de 2011

NÃO EXISTE DINHEIRO NO MUNDO....

Existem nuances de vida...

LORD HURON

Talvez dentro da cabeça do músico, Ben Schneider exista um mundo rodeado daquelas pequenas palavras que fazem seu dia valer a pena. Pedaços de conversas que cravam notas dentro de seu ventrículo esquerdo e de lá fazem morada quase paranóica. Cores e sons despertos em sonhos de terapia kurosawriana, que transportam encefálicas mensagens subliminares de como a vida deveria ser.
Se não existissem o medo ou a maldade.

O projeto de Ben, a Lord Huron é um composto químico bem octaedro de fusões tão diferenciadas, que explodem por referências que já tem morada dentro do seu ouvido. Um experimento fleet-foxe-flaming-lipiniano que definitivamente dispara exposições dentárias involuntárias. Os dois EPs do músico podem ser ouvidos na página do site Bandcamp.
Preço baixo por felicidade que não se compra.


sexta-feira, 11 de fevereiro de 2011

SOMBRAS ELETRÔNICAS.....

Bizarrices binárias

AUSTRA

Já correm por mais de dez anos as experimentações de Katie Stelmanis.
Por lugares muitas vezes confusos e possuidores de tensões quase claustrofóbicas. As canções dessa menina, que junta forças agora com Maya Postepski e Dorian Wolf, possuem uma grande camada de cor cinza. Não existe a necessidade de soar dançante dentro dos temas binários.
Fugindo do modus operandi da maioria, a banda nascida em Toronto consegue povoar suas claves de saídas depechianas do passado não muito distante.

Com as lições aprendidas em Violator na ponta dos dedos, Katie e seus comparsas distribuem camadas de desespero e tons mórbidos por entre os acordes. Um dos exemplos é a canção Beat and the Pulse que você confere abaixo....


AUSTRA "Beat and the Pulse"