Quem sou eu

Minha foto

Fábio Navarro escolheu a escrita, pois não havia saída para o que fervia em seu hipotálamo. Desde os tempos onde, morando em um dos últimos círculos do inferno interiorano paulista,aprendeu que até um papel de pão servia como exorcismo. Nascido nos últimos dias de setembro, quando as folhas já não mais florescem. Expelido por entre restilos de cana de açúcar, dentro do ventre de uma cidade do interior, resolveu sair de casa cedo. Tão cedo que por mais que tente regredir o tempo, não consegue.

Mas esconde-se o máximo que pode através de fantasiosas inverdades escritas em papéis ou destiladas em espaços binários.

Fanático varrido por músicas estranhas, escreve sobre elas em dois sites cariocas, além do seu próprio espaço. 
Anarquista de HQ, descrente da profissão biológica e acreditando que Deus na verdade é Andy Kauffman, trabalha em seu segundo livro.

sexta-feira, 30 de abril de 2010

ARNOLD LAYNE TEM UM IRMÃO BARULHENTO

Correções de vida são feitas muitas vezes assim, ao vivo e em público. Diferente de alguns políticos que querem que as correções históricas sejam escondidas por debaixo dos tapetes já extremamente sujos.

A banda:

HEROD LAYNE.
Quando li pela primeira vez sobre a banda, não foi na verdade uma real leitura. Foi mais uma audição, em uma das Poploaded Sessions no setembro de 2009.
Um trio com o nome retirado da música Arnold Layne (do Pink Floyd), que inclusive participou de um concurso promovido por David Gilmour e acabou ficando com o oitavo lugar mundial. Mas não é só apenas de uma música premiada que vive essa banda.

Um de seus componentes tem uma história de vida muito parecida com a minha, no sentido de também ser um cara que nasceu no interior e veio morar na capital onde sua vida acabou mudando de rumos e finalmente o destino de viver de música se cumpriu. No caso dele a vocação com as notas, no meu.....
O meu não importa!!!!!!

Elson (o baixista da história acima), Johnny Dux (bateria) e Sachalf (guitarrista), mostram que sim dentro desse país outrora sitiado por tanques de guerra dos milicos, é possível uma banda que consuma todas as influências vindas das melhores e mais barulhentas pradarias gringas (Sonic Youth, Mogwai, Explosions In The Sky, Oktober People e por aí vai..), transforma-las em um som que mesmo pertencendo ao filão do noise, tem uma assinatura própria.
Se o Macaco Bong é a dinamite auditiva, o Herod Layne é um maestro cirúrgico que aos poucos vai usando pequenas navalhas em acordes guilhotinados em crescente tremor. O baixo preciso e sem nenhuma vontade de afetação é seco. Como se sua alma fosse em pequenas notas se tornando um corpo que sofre de desidratação atômica, onde cada molécula é distorcida. A bateria que segue a linha de erupções calmas que se transformam aos poucos em uma epilética cadeia de frases neurológicamente agitadas.
Ao final de qualquer audição das músicas do trio é possível sentir a velocidade de cada sinapse em seu cérebro, milímetro por milímetro. Isso sem contar as viscerais apresentações ao vivo da banda que contam com a famosa chave de fenda destrinchando as cordas do baixo de Elson.
Conseguir reunir em uma banda a capacidade de desconstruir um corpo e reordena-lo de maneira completamente diferente depois é uma característica divina.
O que vem de encontro à uma declaração o baixista, sobre o gênero que toca (declaração dada em uma entrevista feita para o BLOGDORACIN):

"EU VEJO DEUS NO NOISE"

Aqui dois vídeos da apresentação para o Poploaded Sessions (apresentado por Lucio Ribeiro e Fabio Massari), das canções Unsung Hero e Crossroads. Tenta não suar frio.......



Nenhum comentário:

Postar um comentário