Quem sou eu

Minha foto

O nascer sob o conduite da agonia, aos gritos, em um domingo de manhã, foi única recordação persistente na memória.
A cor cinza e o nascer.
Além do tom, escrever tornou-se perseguidor, persistiu como o cinza, traçou seu caminho interno na infância escondida. Anos vividos no interior, na cidade onde o sangue de Ya Hu fora derrubado. Marasmo do sossego, o calor moldou sua alma e as ruas daquele pequeno mundo deixaram marcas, refletidas na primeira experiência do escrever, uma resenha sobre Dois Mil e Um Uma Odisseia no Espaço para o jornal da escola estadual onde cursava a sexta série. O texto marcou sua estreia e despedida do jornalismo acadêmico, pois fora considerado extremamente pesado para crianças nessa faixa etária, afinal de contas usar imagens com mortes para ilustrar a evolução humana era algo levemente ofensivo na aristocracia interiorana pós ditadura. Seguiu em frente assim, escondendo-se entre livros na adolescência, escondendo-se pelas décadas, dias, passando mais do que dezenas cartesianas em deriva da alma.
Aprendeu em uma vitrola onde estava a vida dentro das canções de Revolver eMagical Mistery Tour (Beatles) ou a transgressão da normalidade nos acordes de The Piper At The Gates Of DownAtom Heart Mother e Middle (Pink Floyd), percorreu Bocage, para logo em seguida descobrir Machado de Assis e apaixonar-se por Fernando Pessoa e seu Álvaro de Campos. Após algum tempo entendeu que a visceralidade estava onde ocorria a transgressão, desse modo iniciou com Ginsberg e seu Uivo, que anos depois se tornaria a base para seu poema Falha, seguido de Bukowski e Kerouac. Mais tarde, Aldous Huxley,Eduardo Galeano e Julio Cortázar tornariam-se seus inseparáveis guias,Saramago e Garcia Marquez do mesmo modo.
Transpassando lugares mais internos dentro do Estado de São Paulo, Marília onde estudou e Jaú onde nasceu, desembarcou na capital em 2002. O gosto estranho por qualquer revolução estranha, e muitas das vezes visceral, invadiu cada vez mais sua escrita, até alumiar seu primeiro livro, Descarrilho Cotidiano, totalmente escrito dentro das estações de metrô na cidade de São Paulo. Uma viagem em lava, cinza e sangue dentro do coração da metrópole, não o vendido pela publicidade turística, aquele da cidade cosmopolita e fiel, mas sim o coração negro de um lugar onde a vida não vale muito e sempre que possível é deixada de lado por interesses que não os coletivos. O furor e a dúvida de estar vivo dentro desse turbihão da pós modernidade no concreto de São Paulo. A capa da estreia foi uma ideia concebida e realizada na cidade natal do escritor, através dos olhos e mãos majestosas de Amanda França, fotógrafa e inspiração de muitos dos poemas do autor, além de "mãe" do cão Fonseca.
Do livro de poemas nasceram duas canções usadas no projeto Reversos - Instrumentalizando a PoesiaBaque, que conta as variáveis de uma overdose e foi musicado por Pedro Pracchia & Renato Gimenez, além de Trago, nascido poema sobre o amor urbano, tornando-se pelas mãos de Estrela Leminski (filha do herói samurai Paulo Leminski, um dos autores preferidos de Fabio) e Téo Ruiz, linda canção ritmando a vida de maneira ímpar. A versão do Música de Ruiz (a banda de Estrela e Téo), ganhou vida no DVD São Sons, lançado em 2013. Trago ganhou outra versão, pelas mãos do músico Bernardo Bravo, alimentando a densidade do poema de uma maneira ímpar e com toques de beleza brutais. Tanto Descarrilho Cotidiano quanto sua coleção de contos, foram publicados de maneira independente, no melhor método do faça você mesmo, algo aprendido com os heróis punks e poetas beats. Seus textos e contos ganharam vida em publicações de vanguarda dentro da internet, como os sites Nego Dito, Rock In Press e recentemente Altnewspaper.
O conto A Cria do Oitavo Dia (parte do romance inédito e homônimo) participou da coletânea lançada em 2012 pela Editora Big Time, o conto Voo Livre foi publicado pela primeira vez na revista literária conduzida pelo escritor paranaense Homero Gomes, a Jamé-Vu e seus poemas também fazem parte do projeto Os Reversos, dirigido pelo escritor Junior Bellé.  Atualmente escreve seu segundo livro de poemas, Coração Binário e a Navalha em Sua Alma. Seu trabalho pode ser acompanhado dentro do site http://gangrenadiario.blogspot.com.br/

sexta-feira, 30 de abril de 2010

CÁLCULOS BREJEIROS

Existem músicas matemáticas e outras trigonométricas.....

A banda:

THE ACORNSe existe uma definição para o termo folk matemático, essa banda se encaixa perfeitamente nele. O quinteto canadense coloca altas doses de descompassos dentro de um gênero que está acostumado a sempre ter aquela famosa levada de violão e baquinho com um pedaço de palha por entre os dentes. Mas nesse caso a força das guitarras parece mostrar mais uma lâmina do que um vegetal.
Com o disco NO GHOST engatilhado nesse ano, o Acorn mostra que sempre é possivel reciclar castas perdidas de acordes espalhados dentro de sons de antiquário.
Escute a faixa título do disco que sai em junho e mais o vídeo da canção Dent....









ARNOLD LAYNE TEM UM IRMÃO BARULHENTO

Correções de vida são feitas muitas vezes assim, ao vivo e em público. Diferente de alguns políticos que querem que as correções históricas sejam escondidas por debaixo dos tapetes já extremamente sujos.

A banda:

HEROD LAYNE.
Quando li pela primeira vez sobre a banda, não foi na verdade uma real leitura. Foi mais uma audição, em uma das Poploaded Sessions no setembro de 2009.
Um trio com o nome retirado da música Arnold Layne (do Pink Floyd), que inclusive participou de um concurso promovido por David Gilmour e acabou ficando com o oitavo lugar mundial. Mas não é só apenas de uma música premiada que vive essa banda.

Um de seus componentes tem uma história de vida muito parecida com a minha, no sentido de também ser um cara que nasceu no interior e veio morar na capital onde sua vida acabou mudando de rumos e finalmente o destino de viver de música se cumpriu. No caso dele a vocação com as notas, no meu.....
O meu não importa!!!!!!

Elson (o baixista da história acima), Johnny Dux (bateria) e Sachalf (guitarrista), mostram que sim dentro desse país outrora sitiado por tanques de guerra dos milicos, é possível uma banda que consuma todas as influências vindas das melhores e mais barulhentas pradarias gringas (Sonic Youth, Mogwai, Explosions In The Sky, Oktober People e por aí vai..), transforma-las em um som que mesmo pertencendo ao filão do noise, tem uma assinatura própria.
Se o Macaco Bong é a dinamite auditiva, o Herod Layne é um maestro cirúrgico que aos poucos vai usando pequenas navalhas em acordes guilhotinados em crescente tremor. O baixo preciso e sem nenhuma vontade de afetação é seco. Como se sua alma fosse em pequenas notas se tornando um corpo que sofre de desidratação atômica, onde cada molécula é distorcida. A bateria que segue a linha de erupções calmas que se transformam aos poucos em uma epilética cadeia de frases neurológicamente agitadas.
Ao final de qualquer audição das músicas do trio é possível sentir a velocidade de cada sinapse em seu cérebro, milímetro por milímetro. Isso sem contar as viscerais apresentações ao vivo da banda que contam com a famosa chave de fenda destrinchando as cordas do baixo de Elson.
Conseguir reunir em uma banda a capacidade de desconstruir um corpo e reordena-lo de maneira completamente diferente depois é uma característica divina.
O que vem de encontro à uma declaração o baixista, sobre o gênero que toca (declaração dada em uma entrevista feita para o BLOGDORACIN):

"EU VEJO DEUS NO NOISE"

Aqui dois vídeos da apresentação para o Poploaded Sessions (apresentado por Lucio Ribeiro e Fabio Massari), das canções Unsung Hero e Crossroads. Tenta não suar frio.......



quinta-feira, 29 de abril de 2010

OS QUATROS PRODUTORES DO APOCALIPSE

THE AMPLIFETES
Imagina o encontro de quatro produtores de música pop que gostam de Ramones, Bowie e música eletrônica. Nada mais justo que isso desencadear uma banda.
Assim foi feito e os rapazes responsáveis pelas notas conturbadas dos Amplifetes mostram que é possível juntar doses grandes de poderosos riffs de guitarra com sonoridades mais binárias.
Peso bem colocado no meio de seus canais auditivos e com uma potencial capacidade de explosão octaedrocubana muito grande.
De dentro de algum vulcão sueco para o conforto de sua cadeira, o vídeo do som WHIZZ KIDZ vai fazer o vento explodir mais forte dentro de sua cara.....

The Amplifetes - Whizz Kid from THE AMPLIFETES on Vimeo.


OS SEGREDOS DE MANCHESTER

Existem ainda segredos guardados no mundo da música??

A banda:


RUN TOTO RUN.
Listada como uma das dez que serão grandes no cenário independente em 2010, o trio de Manchester faz música eletrônica. Mais outra banda que não tem formação clássica????
Sim, mais uma......
O que vem de encontro com a sua convicção na verdade, não é o fato da banda fazer sons através de sintetizadores, baterias eletrônicas e outras ações maquinárias soando como algo diferente. Isso nem é até uma idéia nova, mas o clima soturno que as composições da banda possuem leva o jogo para outro nível.
Como também os trabalhos que o RTR faz com remixagens (a versão deles para uma música do Bombay Bycicle Club, outra banda que a mídia nacional insiste em ignorar, é sensacional)
A maneira brilhante com que Rachel, Matt e Mike conduzem a parafernália eletrônica, mudando de direção em todas as composições, traz uma brilhante saída para quem acha que o gênero é tudo uma coisa só. Existe em todas as músicas a sensação de não marasmo e inventividade muito grande. Não existe uma só nota sampleada que já não tenha sido tocada, mas a beleza nova da banda é algo de notável......
Escute, mas sempre tenha na sua cabeça a frase, não acredite no hype!!!!!

Dois vídeos. Primeiro uma apresentação ao vivo no Manchester Deaf Institute (sim, lá mesmo), tocando uma cover de Sleepyhead do Passion Pit. Depois uma canção da banda, o novo single HATER que será lançado dia 24 de maio desse ano.




quarta-feira, 28 de abril de 2010

ELA, SOMENTE ELA!!!!!!

E lá vem mais uma candidata fortíssima no quesito musa!!!!!!

THE MYNABIRDS

Laura Burhenn iniciou sua carreira formando um dueto com Georgie James. As canções eram boas, mas ele desitiu. Assim uma menina que tem um ar de Dusty Springfiled ficou com seus discos, livros e poemas.
Resultado, após gravar o disco solo What We Lose in the Fire We Gain in the Flood, ela descobriu que uma banda com instrumentistas muito bons e canções com um pé nos anos 50, misturadas com uma pitada de rock e funk malemolente, poderiam ser sensacionais. Assim nasceu a banda de Ohama. Mistura incrível de voz, beleza e ritmo que cativam os ouvidos desde as primeiras notas. Dificilmente possível de se escutar apenas uma vez, a voz de Laura confunde. Você nunca sabe se está apaixonado pela melodia ou por ela.
Mas uma coisa é certa:
Os Mynabirds possuem uma capacidade de entregar sua alma dentro de tubos de tintas inimagináveis.
Para começar a gostar da banda de cara, a canção LET THE RECORD GO.







ISSO NÃO É ROCK É OUTRA COISA

Austin não é apenas lar de um dos maiores festivais do primeiro semestre. Também existem muitas sonoridades escondidas por entre os bares e galpões.

A banda:

ROYAL FOREST.Quando um dia, dentro de um longínguo ano onde existia o Curitiba Rock Festival, havia uma banda que foi definida por Alvaro Pereira Júnior (ainda no Garagem), como sendo uma outra coisa. Essa banda era o Mercury Rev.

O Royal Forest parece se encaixar nesse tipo de descrição. A banda não faz um pop descartável e também não percorre aquelas estradas ditas shoegazianas que tanto assombram o ano de 2010.
Aliás essa palavra deveria ser limada do dicionário, porque está começando a ficar genérica demais, mas voltando....

A banda de Austin, formada por Justin Douglas (guitarra), Cody Ground (teclados e vocais), Garrett Johnson (guitarra), E. Lugo (baixo) e Chris Rivera (bateria), tem uma sonoridade diferente, muito pelas misturas que podem variar de bossa nova ao rock psicodélico. Navegando por mares teatrais em direção aos lugares trilhados também por bandas como o Sebadoh.
Mas mesmo assim, o Royal Forest é uma sopro de vida, uma musicalidade atordoante com mudanças de andamento que provavelmente são capazes de redistribuir a geografia de um continente. Não existe uma definição para o som, se você chamar de lo-fi está de mesmo bom tamanho quanto rock de garagem. O som da banda é algo diferente, é outra coisa.
A banda está distribuindo seu EP homônimo e saído do forno de graça na banda larga mais próxima à você. Querendo, pode correr nesse link AQUI e ficar à vontade.....
Se existe uma banda para colocar em prática uma das leis de Bangs, o Royal Forest seria forte candidata.

Do Ep você escuta aqui primeiro COURTESY TO DECLINE e depois CIVILWARLAND.

COURTESY TO DECLINE









CIVILWARLAND







terça-feira, 27 de abril de 2010

DIVERSÃO BARATA

1) Dupla de música eletrônica???? Confere.

2) Mistura dançante de guitarras maquiavélicas e saídas de pesadelos ácidos??? Confere

3) Linha tipo Goldfrapp misturado com um Depeche Mode mais dance dos anos 90??? Confere

4) Clips que parecem prontos para qualquer mixtape de pole dance??? Confere

Então por que raios eu posso gostar da banda?????

Kids Of 88

Bom, se nenhuma dessas anteriores fez você ficar ao menos curioso, então você pode estar entrando na classe dos doentes do pé. Afinal de contas sempre é bom quando uma dupla da Nova Zelândia consegue estabelecer um padrão de diversão e batidas que mesmo não sendo a salvação da lavoura, muito menos a coisa mais original do mundo, faz com que apenas por alguns minutos a vida pareça uma grande estrada giratória onde as cores são sempre divertidas. E os dois clips com brigas de mulheres, tintas caindo em cima de mais mulheres faz a alegria de qualquer marmanjo que se preze.....
Aqui no GD dois clips da banda, JUST A LITTLE BIT e MY HOUSE:




FRIO SEM GUERRA

Vai uma vodka aí????

A banda :

PUNK TV
Se os russos sabem como fazer um belo destilado, então também podem se aventurar por meio das geleiras não mais recobertas por guerras frias, no mundo da música.
Esse trio que aparece sempre em qualquer lista das promessas do cenário da música esse ano, mostra que sempre é possível extrair algo diferente de dentro de uma garrafa onde a rolha separa a realidade alternativa daquela em que vivemos (esperar Lost dá nisso).
A radiação por entre sintetizadores e guitarras cheias de pavor, mostram que a banda está no caminho certo. Herdeiros mais do que testemunhais do Kraftwerk e Interpol merecem algo além de apenas uma rápída audição.
Dois vídeos e a esperança de que nada seja tão passageiro quanto parece.....




segunda-feira, 26 de abril de 2010

CONCRETAGEM PESADA

Massas sonoras são difíceis de compreeender e muitas vezes um timbre de voz mal colocado pode fazer você gostar ou não da onda que começa ao longe e explode dentro de areias cerebrais.
Mas os irmãos Mark e John Ricksen parecem preferir os muros de som do que simplemente recuar a maré.
A banda:

COLLIDER:
Desde 2004 e com variações na formação os dois irmãos procuravam um ponto de equilíbrio dentro de suas músicas. Um remoto lugar onde as novidades que poderiam sair pelas mãos deles tornariam-se mais do que as mesmas coisas que sempre são ouvidas por aí.
Lançando apenas EP's (até agora são 4: BBM, Time Concerns, Down In The Saturines e PRIS que tem data de lançamento para o final desse mês), a banda parece finalmente ter achado o ponto ideal entre as harpas infernais que consomem o ar por entre o peso dos riffs e a lembrança de uma massa concreta como em bandas da leva do The Big Pink.
Imperdível, ainda mais sabendo que todo o material da banda pode ser baixado gratuitamente nesse endereço aqui: http://collider.bandcamp.com .

Duas para iniciar a trombada nessa parede pesada de som:

TAKE IT OF









THE GRID GOES DOWN TONIGHT










MELANCOLIA CINZA

Quando os riffs não existem dentro da cabeças de um quarteto do Brooklyn.......


PACIFIC THEATERFormado por: Dan Ryan, Daniel Bellury Gina Yates e Adam Travis poderia até escapar pelo pano fácil de fundo de uma comparação com o National ou Interpol. Mas como todo mundo sabe existe dentro do Brooklyn uma melancolia escondida por entre às esquinas escuras e em cada galpão. Que fala por si só em peças de músicas cheias de sintetizadores com colocações de guitarras abafadas como gritos de torturados que já não podem mais suportar a dor, mas mesmo assim recusam-se a sair pela garganta machucada.
As canções do Pacific Theater possuim uma belza cinza com entonações que lembram tavernas e livros de poesias soturnas. Muito apropriado para aquele dia onde o tempo parece querer mudar, mas mesmo assim cheio de melancolia, as músicas podem retirar de você algo mais do que um sorriso

Duas da banda para que você conheça, seguido do vídeo da canção TELESCOPE

LIONS









REFUGEE









Pacific Theater - Telescope from Whale Heart Records on Vimeo.

sábado, 24 de abril de 2010

PESO SABATIANO

Muito bom em um sábado de manhã, ou no meu caso logo após o início da tarde, perceber que o rock quando colorido com pedras em latas de refrigerantes perfuradas e cheias de cinzas, pode tornar-se algo paranóicamente pesado.
Quem????

ARROWS OF LOVE.
A banda inglesa com dois EPs lançados, iniciou o ano passado e ainda mais:
Todos os integrantes se conheceram uma semana antes do primeiro show.
Começaram então uma série de pequenas apresentações, aliás foi apenas depois dessas, que eles perceberam que a banda era realmente boa e as músicas soavam bem.
Lançaram o primeiro EP BURN THIS TOWN, de maneira independente, mas já chamaram à atenção do pessoal da BBC, assim como também o The Independent. E o ponto onde encontramos a banda atualmente é que eles vão tocar no festival Barfly In Camden como atração principal, ao lado do We Were Promissed Jetpacks.

O som é pesado e diferente das coisas que você escuta por aí. Ministry, Black Sabbath, MC5, Stooges e outras pancadarias parecem ser as influências da banda, que transita em um lago cheio de névoa e monstros que assombram o crânio partido por uma lança. Tem a mesma batida de rock visceral e viajandão do Mars Volta, mas está longe de fazer a mesma coisa. A banda mesmo estando em um terreno perigosamente propício aos plágios fáceis e notas repetivas, mostra que o peso é parte integrante das canções e não está lá de graça. Se as músicas fossem tocadas por banquinho e violão em um versão desplugada, não seriam a mesma coisa. Aliás graças aos deuses fenderianos que o Arrows Of Love parece não querer saber de nada que não seja alto e distorcido. Mesmo com o nome de Flechas do Amor......
Aqui no GD duas do EP de estréia da banda:

DESIRE









TRUST











E se você quiser baixar os dois EP's anteriores, aí vão:


IN THE YEAR 2525 / THE ILLUSIONIST



Arrows of Love - Burn This Town EP

sexta-feira, 23 de abril de 2010

BELEZA AMERICANA ISLANDESA

Calma não se assuste!!!!!


LAY LOW

Essa menina que nasceu na Inglaterra com o nome singelo de Lovísa Elísabet Sigrúnardóttir, de mãe islandesa e pai do Sri Lanka (não saberia dizer se quem nasce no Sri Lanka é serilankês ou serilanko).
A família mudou-se para a terra da mãe e a pequena Lovísa iniciou as aulas de piano, daí para a guitarra, baixo, sintetizadores e violão. Iniciaram-se então as primeiras apresentações.
Em 2006 uma gravadora local, entrou em contato com a menina e seu primeiro single foi lançado, a música era Please Don't Hate Me.
Não precisava nem pedir afinal de contas a voz marcante e cheia de um swingue que não parece ser nascido nas geladas terras de Bjork acompanha Lay Low. Mas o mais engraçado é o fato de que ela é a mais americana das cantoras islandesas. A mistura de folk, com pitadas de rock e country roots ficam evidentes dentro do trabalho dela. O que não quer dizer nada além de que as melodias que são além de suavemente lindas, possuem um certo acalento dentro de vidas encarnadas em vestimentas de stress cotidiano. As canções de Lay Low são para um dia duro de terminar, onde seu endoesdqueleto não permiti mais que o abuso da poluição, buzinas ou pessoas ultrapasse o limite do ultrajante.
Seria como se por minutos enquanto as canções rodam em sua cabeça, todo o resto do mundo parasse e apenas restasse você, ela e as notas.
Não disse que era apara você não assustar!!!!
Afinal de contas você na verdade pode sair mais apaixonado do que com medo!!!!!
Aqui no GD o videoclip da canção BYE BYE TROUBLES, que a cantora fez para o filme King's Road. A película tem a presença de Daniel Brühl (Bastardos Inglórios) e fala sobre um rapaz que volta a morar com a família.
E logo depois completando, a canção PLEASE DON'T HATE ME, o primeiro single.



quinta-feira, 22 de abril de 2010

MATURAÇÃO CONSTANTE

Quanto tempo leva para a maturação de uma banda???

No caso da banda LOYAL DIVIDE os cincos anos que separam o lançamento do primeiro EP para o segundo (que acaba de sair essa semana), parecem ter apenas deixado o som da banda mais apurado.
Conforme as palavras dos próprios, inicialmente eles não tinham definição de como seriam as músicas e a falta de dinheiro e tempo para gravarem acabou fazendo com que o primeiro EP fosse uma coleção de belas canções feitas para o lixo.
Com esse tipo de honestidade, a banda então esperou a maturação do som e esse novo registro é a definição do som da banda.
Uma mistura de maquinaria e arrebites estelares, todos regados à uma nervosa condução sináptica kraftwerkiana. Sons que derivam de entrecantos assustadores, misturados com a falta de necessidade de encaixe em apenas um gênero. Pode ser intelectual, funkeado de Dante ou rock intergalático robótico.
Com ou sem gritos, o Loyal Divide não aceita algo que não seja apenas a representação deles mesmos dentro do som

Ouça a canção DDF e baixe o segundo EP da banda, que se chama LABRADOR aqu
i:

DDF










quarta-feira, 21 de abril de 2010

O MAGO

Compor, dirigir, produzir, escrever, criar idéias originais e além disso ter tempo de ouvir muita banda, são coisas que necessitam além de tempo uma certa dose de talento.
Mas para Doc Matthews isso parece ser algo tão natural quanto respirar. Seja dirigindo filmes como a série You Should Be Throwing Party, ou mesmo fazendo trabalhos com o Animal Collective (o vídeo para In The Flowers).
Mas quando ele está por trás do projeto musical NUMBERS GAME, parece que a energia consegue ficar muito leve e cheia de nuances.
Com um disfarce pop, os sons de Doc tem muito mais que apenas acordes fáceis. As citações eletrônicas e as guitarras enuviadas parecem querer grudar mais do que se imagina sua retina. Não parece querer uma vocação radiofônica, mas está muito longe de ser intragável.
Climas que parecem ser trazidos de névoas incandescentes e com uma capacidade de prender sua respiração além de sua capacidade respiratória.

Duas para você se interar com as idéias de Doc:

LOVE DREAMS









COLD COLD COLD








terça-feira, 20 de abril de 2010

ESCUTE ANTES QUE ACABE

OBRIGATÓRIO!!!!!!!!!!!!!!!!!

Calma pessoa ansiosa, obrigatório o que????

A banda:

MOUTH SOUNDS
É uma daquelas que pode desaparecer, mesmo porque seu único EP gravado em 2006 que se chama THIS IS NOT A DEMONSTRATION foi ouvido por no máximo 150 pessoas. Os shows foram apenas alguns em Flint e Michigan.
A banda terminou logo depois da gravação do EP, mas causou tanto impacto que é uma das prediletas de um cara que logo mais falaremos por aqui que se chama Doc Matthews que além de ter um projeto musical sensacional (Numbers Game), dirige documentários e trabalha com uma das bandas mais cultuadas da atualidade, o Animal Collective.

Mas vamos ao Mouth Sounds. Porque eles?
Primeiro, pois banda que tem apenas um EP, acaba depois de lança-lo de forma independente já merece uma audição, afinal de contas quer atitude mais punk que essa????
Segundo porque o quarteto é visceral.
Todo o disco da banda é recheado de pancadas no estômago sem avisos prévios. A voz de Renne, a vocalista que parece uma menina saída das fraldas do inferno, é tão recheada de navalhas afiadas que vai fazer você querer fazer um stage dive na sala.
Tudo é muito cru e urgente e o resto da banda (Eric, Jon e Nick), providencia uma cozinha que não é mais nervosa, porque são apenas sete músicas. Muito da energia de um Deerhoof tomado por anfetaminas e ganchos de direita poderosos.

Aqui no Gd você ouve duas da boca sonora:

SKELETONS HANDS









GESIS IS MAGIC









E o EP se você quiser baixar CLICA AQUI

HOMENAGENS INDIRETAS SONORAS

AVI BUFFALO
O nome esquisito na verdade esconde uma pequena homenagem à uma outra banda que tem o nome Buffalo.
Avigdor Zahner-Isenberg era um skatista que morava em Long Beach. Seu apelido era Avi. Ele conheceu o resto da banda: Sheridan Riley, Rebecca Coleman e Arin Fazio no mesmo lugar onde quebrou o quadril andando de skate.
Montaram uma banda e então o nome AVI BUFALLO veio enlaçado por uma citação ao Grant Lee Bufallo, que também tinha o nome de seu fundador como o da banda.

Daí para começarem a invadir os sons mais complexos e as levadas que lembram muito o que se fazia nos tempos dos 90 foi um pulo. A Sub Pop gostou tanto da molecada que sem pestanejar muito já correu atrás dessa mistura de lo-fi com letras mais do que confessionais.
O discode estréia chega daqui há alguns dias (27), mas é bom começar a decorar as letras, pois parece que a banda ainda tem muito o que mostrar......

Avi Buffalo: What's In It For? (Glasshouse, Pomona 02/17/10) from Lisa Michelle Bielsik on Vimeo.



Avi Buffalo - Summer Cum from LaundroMatinee on Vimeo.



Avi Buffalo - "Remember Last Time" from DUKE STREET on Vimeo.

sexta-feira, 16 de abril de 2010

ÁGUA RADIOATIVA

Definitivamente existe algo com a água de Sheffield. A profusão de bandas da cidade é gigantesca e a cena de rock independente também é uma das maiores (tanto á assim que existe uma revista especializada apenas nas bandas da terrinha). Os atualmente mais famosos filhos de lá são os Arctic Monkeys, mas toda a semana sempre alguém por lá decide começar a tocar guitarra e formar uma banda.


ALL THE DAMM KIDS

Quinteto com um pé nas experimentações sem muitos efeitos colaterias, na mesma linha da espetacular Foals. Mistura boa de guitarras espaciais e contorções na bateria que podem fazer seu pé esquerdo vibrar alternadamente e com força de bate estaca.
Vale muito correr atrás de todos os singles já lançados porque é uma chance de você nesse ano, escutar algo diferente do que costuma. Sons que muitas vezes descrevem um transe catatônico, mas cheio de cores. Ainda prometendo fazer muito mais do que barulho, o All Damm Kids é verdadeiramente uma força das florestas que cercam a cidade de Sheffield.
Aqui você escua duas para começar a conhecer o trabalho da banda:

,center>a) ECHOES









b) LIKE SEEING A FOX IN THE DAYLIGHT










PADRINHOS PSICÓTICOS

A banda, ou nesse caso o artista:

TOBACCO
O cara que a maioria das vezes (quando não em todas), posa para as fotos vestido com máscaras que variam de orientais barbados, até essa imensa cabeça de bola de basquete. Sempre está à procura de uma oportunidade de fazer colagens com guitarras, samplers e sintetizadores das mais nervosas formas. Na verdade essa cabeça de bola atende pelo nome de Tom Fec, integrante da banda Black Mouth Super Rainbow e no ano passado lançou seu primeiro trabalho solo com o nome Tobacco. O disco com o nome singelo de Fucked Up Friends (tenho uma amiga que poderia usar a frase tranquilamente....). Caindo em uma linha que sugere a paranóia travestida de revolta de um NIN e a comédia bucólica de costumes de Beck. E por falar nesse último, o disco mais recente de Tobacco que se chama MANIAC MEAT, tem o apadrinhamento do Sr. Record Club em duas faixas. Uma delas é a que você ouve aqui no GD, FRESH HEX.













quinta-feira, 15 de abril de 2010

AS CANÇÕES QUE VOCÊ FEZ PARA NÓS

Banda boa de volta....

MATES OF STATE.
A dupla que desde 1997 embarca em sons eletro poptônicos com uma classe ímpar. Kori Gardner e Jason Hammel, conheceram-se no Kansas, e juntando um Hammond aqui e uma guitarra acolá conseguem distribuir bem todas as notas por dentro dos ventrículos mais exigentes. A banda andava meio sumida depois da lançamento de seu disco Re-Arrange Us de 2008, mas esse ano vem com um disco que se não tem nada de novo no mundo indie, pelo menos ao se olhar a escolha das músicas que a dupla decidiu gravar, já desperta curiosidade.
CRUSHES, um disco com covers de várias bandas alternativas mostra que a versatalidade da banda é uma das coisas mais agradáveis e necessárias no Mates Of State. Afinal de contas juntar em um só disco The Mars Volta e Belle & Sebastian não pode ser trabalho para amadores.
Confira o track list de Crushes e depois ouça a versão que a banda fez para LAURA, da banda Girls.


1. Laura (Girls)

2. Son et Lumiere (The Mars Volta)

3. Sleep the Clock Around (Belle & Sebastian)

4. Technicolor Girls (Death Cab for Cutie)

5. Long Way Home (Tom Waits)

6. Love Letter (Nick Cave)

7. Second Hand News (Fleetwood Mac)

8. 17 Pink Sugar Elephants (Vashti Bunyan)

9. Roller Coaster Ride (Dear Nora)

10. True Love Will Find You in the End (Daniel Johnston)



MATES OF STATE / LAURA(Girls cover)








quarta-feira, 14 de abril de 2010

BEIJO CURATIVO

Um minuto pequeno sacripanta.......
Já de manhã estava ranzinado e agora uma banda nacional??????????

LUISA MANDOU UM BEIJO
Sim esse é o nome da banda carioca, que passando pelo twitter ontem esbarrou nos dois cachorros que fazem parte do logo do GD. E olha que por alguns segundos quando vi o nome da conta achei que minhas fantasias tinham se tornado realidade e a Luisa realmente tinha me mandado o beijo (aquela Luisa!!!!!!).
Mas ao me deparar com as guitarras que reverenciam um tempo onde o rock era movido por clubes de fãs adolescentes e os pavimentos eram concretados por batidas sólidas e precisas, percebi que o beijo daquela Luisa tinha se tornado ago maior. Coleção de parangolés reluzentes e esvoaçantes que são capazes de tornar seu dia melhor.
O som da banda indie brasileira tem centelhas curativas que ainda serão estudadas por muito tempo. Sejam pelas guitarras bem encaixadas de Fernando Paiva e PP, a cozinha shoegaziana precisa de PC (baixo) e Cristiano Xavier (bateria), o trompete interplanetário de Daniel Paiva ou a voz docemente amarga e hipnótica de Flavia Muniz.
O site da banda é um verdadeiro baleiro daqueles giratórios, onde você pode escolher qualquer uma das canções e fazer delas parte integrantede seu dia, sua alma agradece.
O importante é que mais uma vez os paradigmas foram quebrados e eles estão aí para isso mesmo.....
Ouça BORBOLETA IMPERIAL e assista BAUHAUS TODAY









terça-feira, 13 de abril de 2010

VAI UM SUBSTITUTO AÍ????

Já que James Murphy parece querer passar a coroa de cara mais divertido dentro da música alternativa, o posto está aberto aos mais interessados. Parece então que essa banda se interessa, mesmo ainda tendo que correr muito atrás do Sr. Murphy.

HEY CHAMP
De Chicago, esse trio que faz um pop elétrico cheio de teclados retirados das profundezas dos anos 80 e letras cheias de passagens assoviáveis, parece se importar com uma coisa apenas: diversão.
Seja pela atitude despojada da banda, ou o descompromisso com questões mais sérias dentro da música. O objetivo é simples e rápido, colocar você para balançar o esqueleto sem a mínima necessidade de usar metade do seu cérebro. Política do pão e circo levada as consequências menos depreciativas. E mesmo sendo esse despojamento todo a tônica da banda, a crítica sobre o show dos caras no Lollapalooza de 2009 foi uma das melhores possíveis. Além da passagem pelo Brasil no mesmo ano tocando na festa Funhell, no final do ano passado.
Distribuindo material gratuitamente na internet, como por exemplo o single com as canções que você ouve aqui no GD: COLD DUST GIRLS e NEVEREST ou até disco inteiro, os moleques do HEY CHAMPS querem alcançar o maior número de pessoas possíveis. Julgar pelo balanço de suas canções, talvez o mundo precise de novos dancing shoes!!!!!

COLD DUST GIRLS









NEVEREST

















segunda-feira, 12 de abril de 2010

TRIOS E FINAIS

Dia triste hoje que o SUPERGRASS anuncia o fim das atividades depois de 17 anos. O mundo do rock está menos divertido e um pouco mais ranzinza. A banda britânica que misturava bem tudo que a primeira invasão inglesa teve de bom junto com uma enorme quantidade de talento próprio, fez de DIAMOND HOO HA seu último disco.
A culpa e como sempre das diferenças criativas........
Mas ainda essa semana uma homenagem decente do GD para a banda, por equanto:

THE JOY FORMIDABLE:

A banda já tinha passado por aqui o ano passado, com sua mistura que ia desde o chamado shoegaze dos 80 com as canções mais cheias de guitarras do Killers (aquela banda que já foi boa!!!!).
A situação nem é se tornar uma cópia mal feita da banda de Las Vegas, mas sim tornar cada riff de guitarra tão bom e explosivo que provavelmente o rastro de pólvora grudado com cola de sapateiro deixado do chão, em direção ao seu centro de gravidade não será facilmente esquecido, muito menos apagado. Sua única alternativa então é sem desespero esperar pela explosão. Que provavelmente vai liberar estilhaços dentro de sua cabeça e como qualquer bom homem bomba, sua felicidade estará completa ao sentir o clic.
Ritzy Bryan, Rhydian Dafydd e Matt Thomas possivelmente serão seus executores, mas como diria nossa tia querida Morrissey :

"To die by your side
Is such a heavenly way to die!!!!"

Ouça aqui no GD o som novo, WHIRRING e o clip de POPINJAY










A DISTANTE SÃO PAULO......


Livros, pinturas e música......
Esse é o mundo de Devonté Heynes. E olha que não são poucas as influências que passam na cabeça desse músico, que antes de começar a se apresentar sob o nome de LIGHTSPEED CHAMPION possuia uma banda de punk e eletrônico que se chamava Testicicles.
Tudo que passa nas mãos de Devonté se torna algo diferente, seja escrevendo um conto para o livro PUNK FICTION (uma coleção de histórias baseadas nas músicas da época), desenhando quadrinhos para a HQ I'm Asleep ou escrevendo um livro próprio (Bad Era Of Me : A Collection Of Short Stories by Devonté Hynes), lançado esse ano.
Mas não dá necessariamente para indicar apenas o LIGHTSPEED CHAMPION como banda, porque projeto paralelo de Dev, o BLOOD ORANGE, uma mistura irresistível de música eletrônica com guitarras espaciais também não dá para conseguir parar de ouvir.
Mas tenha calma e aprecie tudo o que puder, afinal de contas Hynes está no mesmo barco que outro visionário que se chama Beck. E as misturas dos dois projetos dele tem música afriacana, clássica, estudos em piano, rock, pop, desenhos, vídeos. Chega até a cansar só de pensar em tudo, mas não vá achando que é intragável. As canções são todas palatáveis, mesmo aquelas que você reflete sobre o tamanho do cérebro de Devonté.
O disco novo do LIGHTSPEED CHAMPION saiu e se chama LIFE IS SO SWEET, NICE TO MEET YOU. Aqui no GD você ouve e vê o novo clip desse trabalho, para a música MADAME VAN DAMME.
O boné é quase parte do corpo de Devonte e ainda rola um possível "San Paulo seems so far away right now". E de quebra depois uma canção do Blood Orange (S'Cooled) e tenham calma porque a vídeo não é dos anos 80......



sexta-feira, 9 de abril de 2010

MAIS MÚSICA ELETRÔNICA??????

Barulho com sintetizadores e voz feminina não é novidade, não é????
Nem um pouco, ainda mais nesse ano de 2010 que parece levar o rock alternativo para o caminho sem volta da eletrônica. Bandas que largaram suas guitarras e compraram sintetizadores estão cada vez mais pipocando por aí. Muita quantidade nem sempre é relacionada em qualidade. Mas......

A banda:

COLD CAVE
Americanos morando em Manhattan, esse trio formado por: Wesley Eisold, Dominick Farrow e Jeniffer Clavin pode até parecer com a formação clássica desse tipo de banda e com as batidas menos revigoradas. Mas ouvindo atentamente existe um peso e uma capacidade de se perder pelas vozes coloadas por entre as camadas de som que a banda produz. Parece que seu ouvido é embalado por várias telas que são colocadas uma em cima da outra em seus tímpanos, formando um mosaico que dissipa cores magnéticas. Seja pela duplicação dos vocais ou simplesmente pelas lembranças de um Depeche Mode aqui ou um tenebroso tecno dark anos 80. Quase como se você pudesse bater a cabeça por aí escutando algo que não fosse punk rock. Se a banda fosse de 1988 seria considerada genial, mas estamos na era de informações velozes demais para apenas se concentrar em uma coisa só.
Precisa de maturação óbvia, mas desde já a banda está no caminho certo. Será divertido acompanhar a piração do Cold Cave.....
A gravadora Matador continua apostando, e aqui no GD você pode escutar duas faixas e decidir se eles merecem seu voto de confiança......

LIFE MAGAZINE









I.C.D.K.









OS CAVALEIROS DO APOCALIPSE

Se você acha que está difícil atualmente existir uma banda de rock boa, pare e escute essa:

TITUS ANDRONICUS

Eu aceito o argumento de que o nome da banda é estranho. Mas esses são os melhores.....
Também aceito que o som da banda é de difícil digestão na primeira audição. Mas esses são os melhores.....
O quinteto de New Jersey, conta com uma violinista (Amy Klein), acompanhada de quatro fazedores de metamorfoses pesadas e músicas que podem durar até dezessete minutos. E nem por isso vá achando que estamos frente à frente com qualquer banda que faz rock progressivo chato. As letras são histórias de frustração, guerra e sensações conflitantes. Tudo isso embalado em conceitos diferentes. O disco THE MONITOR, por exemplo fala sobre a Guerra Civil Americana. E o nome da banda é o título de uma das peças mais violentas e sangrentas escritas por Shakespeare
Conceitual é pouco, mas a pancadaria de canções como Richard II, Four Score Aand Seven, Ever, Titus Andronicus Forever e em quase todo o disco da banda, não deixa nenhuma pedra parada. Distorções e solos épicos dentro de uma nervosa condução de impulsos neurológicos sononoros.

Porque escutar?????
A banda começou o ano tendo nas resenhas de seus shows as palavras: catarse, definição sobre o que é o rock, explosivo e mais uma enorme leva de elogios rasgados dos mais queridinhos críticos de música. E mesmo esse tipo de resenha despertando uma certa desconfiança, a banda não é nem um pouco descartável. Necessário sim, ainda mais em um mundo onde bocejos dominam a música.






quinta-feira, 8 de abril de 2010

A PRIMEIRA DAMA DO HOMEM DE CERA

Quem é mesmo????

KAREN ELSON.
Mas que apito toca e porque eu deveria pensar em escutar????
Mesmo se ela fosse banguela, sem os olhos, corcunda e sem as duas sombrancelhas já valeria à pena por ter a produção de Jack White. Mesmo sendo o marido de Karen, o senhor de cera não costuma colocar a mão em cumbuca que não renda uma bela qualidade. A superprodução esconde a mesmice da música que é um rock folk cantado em voz suave e decidida. Mas também não é porque você já ouviu esses timbres e acordes em qualquer disco da Florence and The machine ou da Cat Power, que você vai deixar de fazer com que o primeiro disco de Karen se torne parte de sua coleção. O registro fonográfico que tem o nome da canção que você vê e ouve abaixo (THE GHOST THAT WALKS), tem previsão de lançamento para o dia 25 desse mês. mas o video clip tem sua estréia mundial hoje.
Acompanhe então a premiere mundial de Karen aqui também......




BEATS, BYTES E REBITES

Música eletrônica é um gênero problemático dentro do mundo indie (me perdoem o uso dessa expressão cafona). Porque muitas vezes as bandas dedicadas à esse estilo podem padecer de falta de massa cinzenta e tornar as coisas um pouco mais modorrentas e repetitivas. Não que atualmente você vá achar alguém com uma idéia muito mais original do que as que já existem. Mas manter seu ouvido escutando sempre os mesmos beats é uma coisa enfadonha. Por isso eu não entendo a cultura rave. Nunca entendi o que faz uma pessoa passar treze horas pulando o mesmo tipo de música com as mesmas sequências em looping. Quando tomei minha primeira bala também não entendi, porque a sensação de claustrofobia era tão latente que as notas se solidificavam na minha garganta e se expandiam em formas geométricas pontiagudas. E normalmente essas músicas tem um pré refrão que explode em um transe coletivo. Essa era a pior parte, afinal de contas suor e a eminente transformação de seu cérebro em doce de leite pastoso, não é definição de bem estar social......

Mas muitas vezes uma banda pode surpreender no mundo eletro indie pop baleiro kids....

CLASS ACTRESS

Do Brooklyn na barackolândia. Scott Rosenthal e Mark Richardson com a voz catolicamente lasciva de Elizabeth Harper formam essa trinca de corações posicionados em um terreno regado por águas suavizadas em matizes azuladas. A calmaria dentro da voz de Elizabeth não transparece a mistura de sons e sintetizadores que formam uma espécie de cercania para sua voz. Sobreposições e notas plásticas fazem do som da banda uma espécie de lento remédio que desce pelas suas veias através de uma agulha de algodão. Cortante e difuso, hipnótico e deseperadoramente suave.
Goldfrapp e Portishead são as duas referências mais próximas, mas o Massive Attack parece ser mais íntimo do que a linha pop ploc atual do Goldfrapp.
Bom para se ouvir em dia quase gelado, acompanhado de um cigarrro e um ácido........
Ouça aqui no GD CAREFUL WHAT YOU SAY, do disco Journal of Ardency







quarta-feira, 7 de abril de 2010

OS VINIS VIRTUAIS VOLUME 2

A segunda edição dos Vinis Virtuais chega hoje.
As mudanças em andamento no blog, fizeram com que fosse possível apreciar melhor e escolher as bandas de uma maneira que a garimpagem fosse bem mais exata. Não que antes não fosse, mas agora as coisas ficaram mais transtornadas e compulsivas.

Nesse vinil alguns lançamentos ainda não oficiais e bandas que valem à pena:

LADO A
1) FRANK ZAPPA / Jelly Roll Gum Drop (single version)

A Família Zappa sabe como cuidar do legado do gênio. Greasy Love Songs o disco com músicas inéditas vai sair ainda esse ano, mais precisamente dia 01 de maio pela Zappa Records. Prepare o bolso porque é primordial......

2) LOVESONG / Cruel Black Dove

Virou mania dentro no player. A voz marcante de Anastasia Dimou a transformou em musa e a banda com esse clima de tempestade grudou e muito nos ouvidos


3) BABY STRANGE / Alex Chilton e Yo La Tengo (ao vivo)

Ontem o site Scream & Yell retwittou o link da mina de ouro. Uma coleção de músicas do gênio Chilton com sobras de estúdio e raridades. De quebra um mini show dele coma banda Yo La Tengo de 1989. Visceral demais......

4) COOL KIDS CUT OUT OF THE HEART ITSELF / MiniBoone

Jeitão de punk com do wop, essa banda além de divertidíssima, ainda pode ser de quebra uma daquelas que são as mais legais e ninguém ouviu falar delas em dezembro de 2010.

5) CALIFORNIA STARS / Billy Bragg & Wilco

Só por ter a participação do Wilco já valeria à pena, mas a brejeirice imposta por Bragg é de cortar os pulsos com faquinha de bolo Pullman.

PARA OUVIR O LADO A CLICA AQUI



LADO B

1) THE BOYS ARE LEAVING TOWN / Japandroids

Se tem uma coisa que esse dueto está fazendo é comer pelas beiradas. Shows no SXSW desse ano e mais uma pancada de singles explosivos.

2) WHERE'D ALL THE TIME GO??? / Dr. Dog

Conhecimento tardio de uma banda apenas faz com que a gente passe a gostar mais ainda. O disco do Dr. Dog (SHAME,SHAME), é daqueles que a cada audição a paixonite pelo som alcança seu coração certeiramernte.

3) I'M SORRY BUT I BEGINNING TO HATE YOUR FACE / Eagle Seagull

Banda irmã do Wilco ou Modest Mouse, mas sem a pressão de uma cópia. Dá para bater o pé e cantar junto. Precisa mais???

4) CORRINA / Black Francis

O disco Nonstoperotik vazou sem o alarde de um MGMT, mas a marca do senhor Pixies está lá cravada por todo o lugar. Riffs históricos melodias pesadas e acachapantes.

5) FUNNEL OF LOVE / The Fall

São 28 discos e Our Future Your Clutter que acaba de sair da chapa, é o primeiro independente. São nove músicas e mais nada. Não precisa.
Guitarras doentias e uso da eletrônica da melhor maneira possível. Em uma terra onde as novidades vem e vão, o The Fall mostra com quantas cordas se faz um disco épico.

PARA OUVIR O LADO B CLICA AQUI

A MAIS NOVA VELHA BANDA

Não precisa ser nova para ser boa....

A banda: STARS

Nascidos em 2000 naquele país sempre zoado por Cartman e seus amigos, pelas mãos de Torquill Campbell e Chris Seligman. Tentaram Nova Yorke, mas Montreal é a casa da banda.
Faz questão de prêmios em música, pois então aí vai:
Disco alternativo do ano: duas indicações em 2004 e 2005.
Prêmio Polaris de Música: mais uma indicação em 2008.
Discografia longa???
Veja se está bom assim: 10 singles, 5 álbuns (sendo 1 apenas de remixes), 1 DVD e várias aparições em coletâneas.

Em uma terra que passa pelo Dead Cab For Cutie (Ben Gibbard inclusive já tocou uma cover da banda, veja logo abaixo) e em sonoridades que lembram o Metric (na verdade o Metric é que lembra o Stars). A banda canadense situa sua cabeça exatamente naquele ponto de explosão entre o calmo e desesperado, com melodias que transitam bem entre os dois orifícios auriculares. Indie pop rock de arena sem muitas sujeira embebida em raiva. Mas com uma sutileza que chega a ser emocionante. Vale ouvir porque uma banda que já se preparando para o lançamento de seu quinto disco (THE FIVE GHOSTS, dia 22 de junho de 2010) e influenciou muita gente que veio depois, sempre é uma banda para se escutar. Outro motivo é a disposição para músicas que não são facilmente esquecidas que o Stars possui. Tardes chuvosas pedem músicas menos cinzas.
Ouça o novo single FIXED, aqui no GD:









terça-feira, 6 de abril de 2010

PANCADARIAS SONORAS

Banda boa que já está desde o ano passado fazendo belos resíduos sonoros.
BLEECH a banda de Londres, formada por Jennifer O'Neill (guitarra e vocais), Katherine O'Neill (baixo) e Matt Bick (bateria) tem dentro de seu cerne a raiz mais poderosa do rock de garagem. Muito mais pela urgência das guitarras do que pela clássica formação em trio. Lançando singles muito bons em sequência a banda começa a crescer um pouco mais esse ano. Aqui no GD eles já aparecem com certa frequência, seja nos podcasts ou nas listinhas e ontem a banda liberou mais uma canção: ARE YOU LISTENING. Um pouco menos pop rock do que anteriores e menos grudenta que por exemplo Is It True That Boys Don't Cry, mas uma bela jam onde as guitarras estranhas e bem dispostas dão o tom na voz característica de Jennifer.

Vale a pena porque eles tem uma pegada muito boa rockeira, do mesmo jeito que outras bandas novas que também fazem da sujeira uma lei como o Dinosaur Pile-Up, Philadelphia Grand Jury ou até as Dum Dum Girls. Ouça a nova e veja um clipzinho.....
Escute a música nova e se quiser pode baxar AQUI:

ARE YOU LISTENING?









segunda-feira, 5 de abril de 2010

PASSOS DANÇANTES


A banda:

COMET GAIN

Veio de onde????

Londres......

Toca o que???

Mistura interessante de sons sinistros atrativamente dançantes. Cordas que saem de armários empoeirados e com gosto de velharia básica. Como se em um filme, a trilha sonora fosse feita pelos Animals e os Cramps. Batidas para movimentação involuntária dos pés, com riffs quase irresistíveis.

Vale a pena???

Não é a salvação da lavoura, mas definitivamente vale cada centavo dos 5 dólares que você vai gastar comprando o novo EP da banda, que saiu essa semana pelo site da gravadora WHAT´S YOUR RUPTURE? (quer comprar clica no nome).
Ouça a música LOVE WITHOUT LIES.